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ACCCOM: UMA BENÇÃO

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ACCCOM: Uma Benção

Novamente ecoam os clarins e as trombetas reverberando nas páginas dos jornais e nos microfones das emissoras de rádio; também diante das câmeras  de nosso municipal canal de televisão. As redes sociais se abrem para contar sobre o acontecido, que não é fantástico, nem extraordinário; pelo contrário, caiu no lugar comum de tão corriqueiro e banalizado pelos personagens envolvidos. Apenas outro veículo foi entregue “ao povo de Pará de Minas” para prestar serviços em determinada atividade. Apenas em 2019 esta “doação” deve ser a décima que ocorre. São os deputados votados na comarca mostrando serviço com as suas emendas parlamentares. Mesmo reconhecendo a utilidade dos veículos: viaturas policiais, ambulâncias, tratores, automóveis comuns, etc., noto também a absurda falta de imaginação dos parlamentares, que parecem acreditar que um veículo doado via emenda, vai encobrir o comodismo de suas excelências em seu relacionamento com o eleitor. Não vai, senhores! Aqui neste quesito o buraco também fica mais embaixo. Doam uma ambulância e acham que resolveram o problema da saúde pública em Pará de Minas; doam uma viatura policial e celebram o extraordinário avanço na segurança pública que a “rádio-patrulha” vai proporcionar. O povo não liga mais para esse tipo de coisa. Por mais provinciana que seja a  população paraense de Minas, que já passou a casa dos cem mil habitantes, esse tipo de política não mais comove os bem informados e são (somos) milhares de pessoas que observam com outros olhares o que rola no nosso cenário político/administrativo. Para essas pessoas o nome disto é enganação. Esta parcela majoritária da população quer ver mais atitude e trabalho de todos os parlamentares votados nesta 202ª Zona Eleitoral.

Falemos de nossa “saúde”. Durante todo o mês de agosto eu compareci quase diariamente aos Hospital do Câncer  em Divinópolis. Não se rejubilem meus detratores; e podem descansar os meus amigos; não estou padecendo de nenhuma doença. Apenas atuei como acompanhante de um velho amigo (85 anos) que precisou de uma sequência de sessões de radioterapia e não tendo nenhum familiar disponível para acompanhá-lo, ofereci-me a fazê-lo. Foram trinta dias de aprendizado e de surpresas para mim. A maior delas foi conhecer “in loco” esta instituição chamada ACCCOM -Associação de Combate ao Câncer do Centro -Oeste de Minas. Já fui contribuinte da ACCCOM, deixei de sê-lo quando mudei de endereço; quando descobriram o novo, foram tantas ligações que confesso ter perdido a paciência com as moças do telemarketing; parei de contribuir e agora publicamente reconheço o meu erro, que será reparado com meu pedido de inserção no quadro de colaboradores desta casa santa.                                                        Na ACCCOM descobri o quanto ela é importante para o povo de Pará de Minas e para outras mais de sessenta cidades do centro-oeste mineiro. Posso afirmar que os mineiros do centro-oeste se encontram na ACCCOM, num momento difícil de suas vidas. Vi por lá, nas sessões de radioterapia e quimioterapia, algumas dezenas de pará-minenses transportados em veículos da municipalidade. Saem de casa às cinco da manhã e só retornam à tarde depois que o último paciente é atendido. O tempo que precisam esperar a hora  do retorno, pós-sessão é demorado segundo o relato de vários pacientes com quem conversei. Um deles foi explicito: “o transporte pode até ser humanizado, mas a longa espera é desumana e dolorida”.

Neste ponto é que questiono os políticos que levam os nosso votos e as lideranças locais envolvidas com a nossa saúde. É preciso ousar. Divinópolis quando tinha a população que Pará de Minas tem hoje (cem mil habitantes) já contava com quatro hospitais. No Pará de Minas continuamos com o centenário (135 anos)  e único hospital, permanentemente em crise. Volto à ACCCOM, que não nasceu de uma vez e grande. Foi ideia que se transformou em realidade pouco a pouco. A clínica de radioterapia por exemplo tem menos de dez anos. A Casa de Acolhimento ao paciente é ainda mais recente. Na prática é um hotel onde o paciente e seu acompanhante de cidades mais distantes se hospedam durante a semana, com refeições e cama. Passo a passo, com paciência, pois a obra foi erguida com doações do povo, principalmente.

Para não ficar me alongando mais vou fazer uma sugestão que não quer calar:  o Conselho Municipal de Saúde, formado  principalmente por voluntários, pode deslanchar uma campanha para a construção de uma clínica de radioterapia/quimioterapia em Pará de Minas. Em vez de doação de veículos para o tal “transporte humanizado” os deputados podem se unir e destinar recursos para concretizar este sonho; podem mesmo trabalharem junto aos demais colegas parlamentares para destinarem parte de suas verbas para a nobre finalidade.  A parte física, o prédio certamente  será uma construção que custará algumas dezenas de milhares de reais. Equipar também ficará ainda mais caro. Mas é preciso dar o primeiro passo, começar a caminhada. Pensem senhores, no alívio que será para os doentes  uma clínica assim na cidade. E não esqueçam que o câncer não escolhe quem será acometido por ele.         Eu acredito que se a clínica se tornar realidade a ACCCOM topará assumir a sua gestão.

No mais, quando a moça do telemarketing ligar novamente, meu coração atenderá o telefone.

Luiz David

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