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BRRRR!!! QUE FRIO.

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BRRRR!!! QUE FRIO.

Não gosto de frio. E considero mentirosas as pessoas que estufam o peito para dizerem: – Adoooro frio! Que grande mentira. Não conheço ninguém que tenha ido passar suas férias na Groenlândia por exemplo. Ou na Antártida. Eu nasci num dia vinte de junho, às onze e meia da noite da noite, como informa a minha primeira certidão de nascimento, documento que naquele tempo trazia a hora exata em que o bebê adentrou o planeta. Faltavam poucos minutos para o dia que estabelece a chegada do inverno no hemisfério Sul. Noutra encarnação eu devo ter nascido no verão, pode ser que sim. Sou quase devoto de Aton, o deus-sol dos egípcios. O verão, ah! o verão, eu gosto demais, minha estação favorita. Faz-me lembrar de cerveja gelada, camisetas, sandálias, bermudões e um disco do Zeca Pagodinho tocando na vitrola. Por mim o inverno brasileiro nunca devia ter menos de vinte graus. Mas neste ano, por aqui no centro-oeste das Minas Gerais, o termômetro chegou perto de zero. Que horror! Os fiscais da natureza, isto é, os meteorologistas, garantem que há cinquenta anos não fazia tanto frio. Eles têm razão. Lembro-me bem do inverno de 1966, eu servindo o exército brasileiro no 12º RI, em Belo Horizonte, e das madrugadas geladas quando ficava de guarda do quartel. Da guarita dava para ver a neblina que pairava sobre o rio Arrudas, há menos de duzentos metros de distância. Uma visão impossível hoje, mesmo com tanto frio, pois o ribeirão foi emparedado e quem não conheceu BH antes, nem sonha que por ali corre um rio.
Meu amigo e conterrâneo Tonhão do Zé Mendonça (jornalista e tradutor Assis Mendonça) que vive há mais de quarenta anos na Europa central, na milenar Aachen, uma das mais antigas cidades da Alemanha, também não aprecia frio. Mas por razões profissionais e sentimentais adaptou-se ao clima do país dos “chucrutes”; eu diria que Tonhão hoje é um teuto-brasileiro, muito chique não? Recentemente ele postou no instagram uma foto onde aparece ao lado de sua família, em localidade na zona rural da Suiça. Uma paisagem de cartão-postal: gramado verdejante e um regato de águas cristalinas. Tonhão esclarece que aquele regato se forma da neve derretida nos cumes dos Alpes suiços, que aparecem ao fundo na foto. Para quem na infância e adolescência se banhava nas águas do ribeirão Paciência, ali na Matinha, na fazenda dos tios Vicente e Olga, significa um salto na qualidade e na forma de curtir o verão. Em 2017 o velho Paciência está transformado em curso d’água sazonal, está quase sempre seco; enquanto o regato suiço se renova a cada verão com a precisão dos relógios da terra. São algumas das vantagens de se viver nas neutras terras helvéticas (epa!!). Na legenda da foto que mencionei, nosso Tonhão comenta sobre o verão europeu de 2017: “verão de verdade o termômetro tem de marcar pelo menos 30 graus”. Neste ano pelo visto, a marca está sendo ultrapassada com folga, para alegria do patafufense. Aliás, pelo que conheço do conterrâneo, se pudesse ele trocaria o banho no regato alpino, por um mergulho em algum poço do Paciência. Tonhão é do tipo que jamais esquece as origens; no prefácio que escreveu ao livro “Pará de Minas Meu Amor” (2009 – Coletânea com trinta autores que eu editei), Assis Mendonça diz enfaticamente: “Eu saí da roça, mas a roça não saiu de mim”. Mas com esse tempo maluco quando faz um frio inacreditável por aqui e um calor carioca na Europa, acredito que Tonhão não virá tão cedo à roça, ops, ao Brasil.

Luiz David

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