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COMPOTEIRAS

PARÁ DE MINAS EM COMPOTAS

Os amigos que seguem minha página no facebook ficaram assanhados com a foto de uma linda compoteira que compartilhei com todos na data de ontem. Para ser sincero, a minha intenção não é falar de doces em compotas, mas sim de literatura paraminense, ou paraense de Minas; especificamente de oito obras que considero fundamentais como registros de nossa municipal história. Um dos livros que vou abordar sequer foi lançado ainda, ou melhor nem foi impresso. Ao escolher este título “Pará de Minas em Compotas” eu quis fazer uma sutil comparação entre o livro e uma compoteira, peça onde nós sabemos estão guardados os mais saborosos e finos doces de agrado geral da família, afinal de contas qual residência mineira não tem pelo menos uma compoteira, assim meio que esquecida sobre uma mesa, mas sempre cheia de gostosuras. Assim são esses livros da lista que elaborei: o puro prazer da leitura; como comer uma deliciosa ambrosia, que parece ser a delícia preferida de nossa gente. Em 2019 eram cinco livros, nesta versão atualizada de agora são oito livros, um deles inédito. Vou explicar para que todos entendam o contexto.

No ano 2019 eu procurei o vereador Toninho Gladstone e sugeri a ele que incluisse no orçamento anual da prefeitura para 2020, a ser votado pela Câmara, uma verba para a reedição de cinco obras fundamentais para a preservação da memória paraminense. O vereador atendeu a minha sugestão e foi aprovada uma verba de cinquenta mil reais, mais do que suficiente para o mister ao qual se destinava. Com a verba incluída no orçamento, logo no começo do ano 2020 Toninho Gladstone procurou a secretária de Educação, Marluce Pinto Coelho, que naquele momento acumulava a pasta da Cultura também que demonstrou interesse no assunto. Porém, em poucos dias apareceu no cenário do planeta a pandemia do covid 19 que mais de um ano depois continua assombrando todas as nações do mundo. E a secretária Marluce passou a dedicar todo o seu tempo para adaptar a sua pasta às condições de rigor impostas pela pandemia. De fato não havia clima para discutir a reedição de livros de interesse histórico, com a covid açoitando impiedosamente a população, matando pessoas, muitas pessoas (hoje são mais de duzentos óbitos contabilizados) e deixando alguns milhares de paraenses com sequelas. Mas pandemia há de passar, pois como diz o adágio “não há bem que não se acabe, nem mal que dure para sempre. Dias melhores virão e como seria bom que a proposta fosse renovada para o orçamento municipal de 2021, não com a rubrica de um vereador apenas, mas quem sabe numa proposta coletiva subscrita por todos os edis e apoiada também pela secretária de Cultura, Andréia. É possível. Eu penso até que basta todos os envolvidos quererem, para isto acontecer.

A lista elaborada é a seguinte:1 – A História Antiga de Pará de Minas -De 1700 a 1859 – Autor: Theophilo de Almeida – Ano de publicação: 1959. Tiragem da 1ª e única edição: 300 exemplares, que foi considerada exagerada, levando-se em conta a população da cidade em 1959, de aproximados 12 mil habitantes. Se trata da principal obra de caráter histórico de Pará de Minas, fruto de árduo trabalho de pesquisa. Uma obra que precisa ser reeditada o quanto antes, para conhecimento das novas gerações de paraminenses. Dr. Theophilo de Almeida , médico formado pela Universidade do Brasil, nasceu na virada do Século 19 para o Século 20 e morreu no ano 1987. Filho caçula do coronel Francisco Torquato de Almeida e de dona Jesuina Moreira. Depois de formado nunca mais voltou a viver em Pará de Minas, que visitava regularmente, pois até sua morte sempre ocupou cargos de relevância na diretoria das empresas de seu irmão Torquato Alves de Almeida. Em 1959, quando lançou sua principal obra de cunho histórico, era o presidente do conselho Diretor da Companhia Industrial Paraense. Foi casado com Sara de Castro Pentagna. Historiador diletante, apreciava pesquisas sobre a história da região centro-oeste de Minas Gerais.

Trecho do livro: “…Em uma série de buscas que fizemos por especial mercê, junto aos cartórios de Pará de Minas, para finalidades históricas destes estudos, encontramos uma escritura lavrada em 1897 da “Fazenda da Vargem do Engenho, antigamente denominada Palafúfio”, como ali se escreve, tudo indicando que ser um lapso de cópia, invés de “Patafúfio”; fazenda havida dos herdeiros de Manoel Luiz Galvão, hoje (ano de 1959 – observação minha: Luiz) de posse de Maria Sebastiana de Carvalho, ou D. Liute. Vimos pesquisando, igualmente, os ascendentes proprietários da casa nº 1 da Rua São José (em 2021 Rua Manoel Batista; imóvel sede do MUSPAM), considerada a mais antiga da cidade, a casa da “Filha Boa”, como se chamava no principio deste século (Século 20) e chegamos até o espólio de Miguel de Freitas Mourão, não conseguindo ainda ir além para conhecer os proprietários primitivos, devido a diversidade de cartórios e fôros (Patafúfio esteve integrado a várias comarcas vizinhas, antes de se tornar sede, ainda como “Cidade do Pará”). Bem assim, nos cumpre verificar se a “Fazenda da Vargem” não era primitivamente esse nº 1 da Rua São José (como já disse, atual Rua Manoel Batista). É mister prosseguir nas buscas para saber qual seria o primeiro dono ou morador da “Casa de Varanda”, com o fim de confirmar, como nos casos anteriores, o indigitado nome do lendário fundador. A “VARANDA” o velho solar que tinha o número 7 da Rua São José (em 2021 Rua Manoel Batista) e dava frente para Praça Municipal, atualmente Praça Afonso Pena, pertenceu sempre à família Almeida Vila-Nova, como residência, até a sua cessão à municipalidade por dona Guilhermina de Almeida pereira Duarte, herdeira, a fim de ser doado o terreno ao Estado para construção de nova cadeia pública. E, se na parte destinada a hospedagem, anexa, independente, havia expansões festivas, a sede nunca teve antes e durante, outro destino, além de residência da família e descendentes, entre eles João José de Almeida, pessoa respeitável, professor, inspetor escolar, cidadão útil e considerado.

Não logramos nesta última busca, da Casa da Varanda, ultrapassar o domínio de Antonio Almeida Vila-Nova, por não atingirem as épocas mais afastadas os nossos cartórios, porquanto os inventários e partilhas que possam elucidar o mistério, se encontram nos arquivos de Pitangui, onde já fizemos as primeiras tentativas, talvez em Sabará, Sete Lagoas, Bonfim e outras comarcas, devido a dependência do Patafúfio a comarcas diversas no passado. Ficam aqui, com com voto de melhor êxito, a “chaves de segredo”, que, como todas que guardam valores preciosos, não abrem facilmente… Mas sob o ponto de vista histórico, vale a pena descobrir esse segredo. (Mais de 60 anos depois ninguém se dispôs ainda a procurar tal “chave sugerida pelo autor). Finalmente a “Varanda” com seu grande terreno, foi adquirida pela municipalidade, em 1900, sendo o Agente Executivo (cargo na época equivalente ao de prefeito) José da Costa Guimarães, a fim de doar ao Estado para construção da Cadeia (que foi demolida na década de 1960, para construção de outra bem maior

Depois, na mesma rua, a casa que foi de João Jacinto Mendonça (em 2021 ainda propriedade de seus descendentes, com a fachada absolutamente descaracterizada), apresentando acentuada e curiosa semelhança com a de Francisco Torquato de Almeida, a casa de meus pais, onde nasci, da qual ainda existe uma pequena parte na Praça que lhe consagra o nome de dedicado servidor de nossa terra e de nosso povo (em 2021 não há mais sequer resquícios da casa mencionada pelo autor). De permeio, a velha casa de minha escola primária, de minha mestra Marquinha Borges, no lugar onde se acha a residência de D. Aureslina Gonçalves Xavier, típica, casa primitiva (em 2021 nem resquício desta residência). No Arraial Novo (região onde em 2021 se localiza a Rádio Santa Cruz, Posto Boa Viagem, MotoStar, etc.), havia outras casas estilo colonial que foram por último de Júlio José de Melo, dr. João da Mata e outros.

Ainda mais adiante, o sobrado há pouco demolido (final dos anos 1950) de João Ferreira de Oliveira pena e de D. Antonia Valadares, onde ainda se vê restante uma velha dependência de portas e janelas característica da época (não se vê mais em 2021) ao lado da moderna residência (em 2021 é residência do senhor Germano Assunção e sua família). Na outra direção, à direita, partindo do centro, a velha “Estalagem” que conhecemos em ruínas (começo do Século 20), que depois foi adaptada para residência de João Leite, da distinta família Leite Praça (não existe mais tal residência) e mais acima, rumo à Tabatinga (em 2021 a Rua Major Manoel Antonio) do mesmo lado a residência de Jacinto Braga e a que foi do coronel Manoel José Simões (o “Maricas”) e outras mais desaparecidas ou que ocorrem à memória. Apontando-se ainda, por final, essa apreciável antiguidade, fora dos velhos caminhos, mesmo em frente ao Centro Literário Pedro Nestor, a casa que foi de Cornélio Augusto Moreira dos santos, figura assinalada na vida pública, política, e social, membro ilustre das Câmaras de Pitangui e do Pará, tendo exercido vários cargos de relevo e interesse público. Primitivos os sobrados de Antonio Cândido e do Major Fidélis, ora em demolição (ano1959), janelas antigas, mas não da arquitetura característica e primitiva, embora talvez contemporâneos (décadas de 1940/1950); e as residências do Major Manoel Antonio Moreira dos santos, de Francisco Bahia, do Tenente-coronel Roberto e outros ainda na Tabatinga.

Quando se confronta, comparando, a arquitetura da época de 1700 e princípio do Século 19m tendo como paradigma, por exemplo, o citado estudo e trabalho publicado por Silvio de Vasconcelos, e se observa a uniformidade daquelas fachadas, as janelas e as portas com suas vergas curvas, de pedra ou de madeira, identificamos, à evidência, essas das mais antigas mansões da cidade, umas ainda existentes (em 1959; nenhuma delas em 2021), todas normalmente situadas à margem dos primeiros caminhos, com as mesmas fachadas desses patrimônios, históricos e de Arte, que ainda vemos nas velhas casas de Pitangui, de Sabará, de Mariana, de Campanha e outras. (em Pará de Minas, preservada em 2021, apenas o casarão do coronel Nhonhô Capanema, na beira do antigo caminho de Pitangui, atualmente bairro de Nossa Senhora de Lourdes, antigo Alto)…”

Os demais livros de minha lista para reedição são os seguintes;

2 – “De Patafufo a Pará de Minas” – Autor: José Augusto Corrêa de Miranda – Publicado em 1959 – Número de páginas: 168 – Tiragem da primeira e única edição: 300 exemplares.

3 – “Casos e Coisas do Pará Antigo” – Autor: Pedro Moreira Mendonça – Publicado em 1959 – Número de páginas: 156 – Tiragem da primeira e única edição: aproximadamente 500 exemplares.

4 – “Pará de Minas, Sua Vida e Sua Gente” – Autor: Robson Correia de Almeida – Publicado em 1983 – Formato: Encadernação – Número de Páginas 125 – Tiragem da primeira e única edição: 500 exemplares.

5 – “Pará de Minas em Tempo de Literatura” – Autores / Organizadores: Terezinha Pereira; Ligia Muniz e Márcio Simeone – Publicado em 2012 – Número de Páginas: 255 – Tiragem da primeira e única edição: 500 exemplares. Esta obra é um verdadeiro “Vade Mecum” da literatura paraminense. Trás citações sobre todos os autores de Pará de Minas com livros e/ou textos publicados em todos os tipos de mídia, até o ano de 2012.

6 – “Memórias e Impressões” – Autor: José Moreira Xavier -Zezinho Xavier; organizado pela sua filha e escritora, Ângela Maria Leite Xavier – Publicado em 1998 – Número de Páginas : 100 – Tiragem da primeira e única edição: aproximadamente 500 exemplares.

7 – “Samburá – Crônicas e Pílulas” – Ainda inédito – Autor: Anastácio R. Pinto – Número de Páginas: 98 –

8 – “Meio Século de Sol” – Autores: Ana Cláudia de Souza Saldanha e Júlio Maria Saldanha Teixeira – Publicado em 2002 – Número de Páginas: 270 – Tiragem da primeira única edição: aproximadamente 500 exemplares. O livro narra a história de 50 anos do Coral Nossa Senhora da Piedade e ‘en passant’ conta fatos sobre o cotidiano da cidade. Indispensável na estante de quem sendo Pará de Minas, aprecia também a boa música.

Luiz David

2 Comments

  1. Luiz David. Excelente iniciativa. Mas falta o livro do Orlando Moreira. Eu amo aquele livro. Me avisa qdo das reedições que vou querer alguns kits para dar a pessoas que sei vão gostar demais. Abraço afetuoso.

  2. Outro livro que falta: o Pará de Minas Meu Amor. A coletânea de pessoas que marcaram a cidade. Outro abraço.

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