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CRÔNICA DA GRIPE ESPANHOLA NA CIDADE DO PARÁ NO ANO 1918

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CRÔNICA DA GRIPE ESPANHOLA NA CIDADE DO PARÁ NO ANO 1918

Em extenso artigo publicado na imprensa de Belo Horizonte recentemente, a Professora Heloísa Starling do Departamento de História da UFMG, relata com maestria a chegada da gripe espanhola à Belo Horizonte, então uma jovem cidade inaugurada apenas vinte anos antes. O artigo é extenso, por isto incluo nesta “Crônica” apenas um pequeno trecho, à guisa de introdução dos fatos que descrevo a seguir relativos à gripe espanhola na  Cidade do Pará, então o nome oficial da atual Pará de Minas.      

…”Foi então que Belo Horizonte se encontrou com a peste. O médico Samuel Libânio, responsável pela Diretoria de Higiene, suspendeu o comércio e ordenou o fechamento das lojas; os proprietários obedeceram, mas a contragosto: a influenza não iria se alastrar em Belo Horizonte com a mesma força como acontecia no Rio de Janeiro, e os prejuízos seriam incalculáveis para a economia do estado, reclamaram, furiosos.

Em Belo Horizonte, a gripe espanhola chegou quase sem fazer barulho. É certo que todo mundo tinha alguma informação a respeito da peste que ameaçava dizimar o Rio de Janeiro, mas as autoridades mineiras andaram minimizando noticias sobre a doença: “é pura e simplesmente a gripe ou influenza; cumpre não confundi-la com a gripe pneumônica, de Dakar, que esta sim é gravíssima, de prognósticos muito sérios”, tranquilizava o jornal Diário de Minas. E concluía: “não há, pois, razão para nos enchermos de terror, como vai acontecendo por aí, confundindo uma coisa com outra, pondo em sobressalto toda gente”. Não se sabe de onde o Diário de Minas tirou suas informações sobre a benignidade da epidemia, mas não falava sozinho. Os médicos batiam boca diante de uma doença que ninguém ainda tinha decifrado, o governo estadual temia a paralisação do comércio, os eventuais prejuízos econômicos, as consequências de ter de enfrentar uma população em pânico. A imprensa repercutiu o Palácio da Liberdade. Tranquilizar a população era um modo de tranquilizarem a si próprios – médicos, governantes, jornalistas. Ademais, Belo Horizonte tinha fé no imaginário que concebeu para si, e isso dava credibilidade aos argumentos de quem se recusava a acreditar na aproximação de uma epidemia. Construída de acordo com os modernos preceitos de higiene urbana da época estabelecidos por engenheiros e sanitaristas de competência nacional, como gostavam de alardear as autoridades, Belo Horizonte tinha boas condições de salubridade e um clima excelente. O número reduzido ou inexistente de doenças com potencial de epidemia até então registradas na cidade – difteria, cólera, febre amarela, varíola – reafirmava a crença nas boas condições sanitárias da capital de Minas, e a população recebeu com certa despreocupação as notícias vindas do Rio de Janeiro. O alarme só disparou no início de outubro. Cotidianamente, o trem noturno partia da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, atravessava as cidades da Zona da Mata mineira e aportava, de madrugada, na Estação Ferroviária – a porta de entrada de Belo Horizonte. No dia dia 7 de outubro, um oficial proveniente da Vila Militar, no Rio de Janeiro, desembarcou na Praça da Estação junto com a família. Instalaram-se numa casa no bairro da Floresta, e, dois dias depois, os primeiros sintomas da Espanhola se fizeram sentir. Quem morava no bairro entrou em pânico assistindo à chegada dos enfermeiros responsáveis pela transferência imediata dos doentes para o Hospital de Isolamento e dos funcionários da Diretoria de Higiene – o equivalente hoje à Secretaria de Saúde –, devidamente paramentados, transportando, em carroças da prefeitura, o equipamento para desinfecção da casa. As autoridades responsáveis pela saúde pública tentaram aliviar a gravidade da situação, mas já não havia mais tempo. No fim da primeira quinzena do mês de outubro, os moradores de Belo Horizonte começaram a ser confrontados com os efeitos da gripe epidêmica na cidade. O surto não tinha nada de benigno, a doença avançava com rapidez pelas zonas urbana, suburbana e rural e atacava qualquer pessoa: ricos e pobres, homens, mulheres, crianças, velhos, jovens, fracos ou atléticos, sem distinção. Foi então que Belo Horizonte se encontrou com a peste. O médico Samuel Libânio, responsável pela Diretoria de Higiene, suspendeu o comércio e ordenou o fechamento das lojas; os proprietários obedeceram, mas a contragosto: a influenza não iria se alastrar em Belo Horizonte com a mesma força como acontecia no Rio de Janeiro, e os prejuízos seriam incalculáveis para a economia do estado, reclamaram, furiosos. As ruas ficaram vazias, cafés e bares, cinemas, clubes e casas de diversão, às moscas, a circulação dos bondes foi reduzida. O Colégio São José, na Rua dos Tamoios, foi o primeiro a interromper as aulas; em seguida, vieram as escolas públicas – grupos escolares, a Escola Normal e o Ginásio Mineiro –, os colégios particulares e as quatro faculdades que, no futuro, dariam origem à UFMG: Direito, Medicina, Odontologia e Farmácia. Tudo estava deserto, menos as farmácias onde multidões se aglomeravam em busca dos medicamentos que começavam a faltar. Fechadas em casa com os provimentos que se podiam acumular, as pessoas se esforçavam em resistir, mas rareavam gêneros de primeira necessidade: pães, leite, carne, verduras, fubá, açúcar, sabão. Ninguém controla a peste de uma só vez, ensina Daniel Defoe, no romance Diário do ano da peste…”

A maneira como a gripe chegou à capital mineira, de trem, trazida por um militar proveniente do Rio de Janeiro, pode ter sido a mesma que trouxe o vírus assassino à Cidade do Pará que a partir daqui voltarei a chamar de Pará de Minas para não confundir o leitor. Há cem anos era possível a um passageiro partir do Rio de Janeiro no trem noturno Rio/Belo Horizonte e vinte e quatro horas depois após baldeação na capital, descer do trem na gare da estação em Pará de Minas. Não fosse a longa espera pelo trem vespertino BH/Pará de Minas, o tempo da viagem poderia ser reduzido no mínimo em nove horas. Era impossível a um passageiro vindo do Rio chegar em Belo Horizonte a tempo de embarcar no trem que partia rumo ao oeste mineiro às seis horas da manhã; assim não havendo outras opções de transporte, todas as pessoas que faziam esta viagem já se programavam para a longa espera na Capital. Mas é possível que a gripe tenha sido contraída por algum paraense de Minas em visita à Capital, a passeio ou a negócios, mas desavisado e distraído contraiu o vírus e o trouxe até nós. 

Assim como Belo Horizonte, Pará de Minas também não estava preparada para enfrentar a pandemia que assombrou o planeta. Aliás, nenhuma cidade do mundo estava preparada. Em milhares de cidades espalhadas pelos cinco continentes a população só tomou conhecimento da pandemia quando as pessoas começaram a morrer: fossem familiares, vizinhos, colegas de trabalho ou apenas desconhecidos moradores da mesma urbe. No Rio de Janeiro por exemplo, a primeira cidade brasileira a noticiar a doença entre seus cidadãos, as pessoas saiam para trabalhar e não voltavam para casa, pois contaminavam-se a caminho do trabalho, ou da igreja, ou de qualquer outro destino e simplesmente prostravam-se no chão, agonizavam e em poucas horas  morriam ali mesmo e os corpos eram recolhidos pelos caminhões da limpeza pública e levados aos cemitérios, eram enterrados em covas rasas sem identificação, sem ninguém para lhes encomendar a alma.   Em São Paulo, Salvador, Recife, enfim, em todas as cidades portuárias do Brasil a gripe espanhola já chegou matando e as pessoas que fugiam para o interior do país se encarregaram de levar inadvertidamente a doença a todos os quadrantes do território nacional.                                                                                                                                                                 

Recém-chegado ao Rio de Janeiro, o dramaturgo Nelson Rodrigues indagou em suas “Memórias” : – Quem não morreu na Espanhola ?  E continuou fazendo o registro macabro: “A gripe foi a morte sem velório. Morria-se em massa. E foi de repente. De um dia para outro, todo mundo começou a morrer.  Os primeiros ainda foram chorados, velados e floridos. Mas quando a cidade sentiu que era mesmo a peste, ninguém chorou mais, nem velou, nem floriu. O velório seria um luxo insuportável para os outros defuntos. Durante toda a Espanhola, a cidade viveu à sombra dos mortos sem caixão”. 

Em seu livro de memórias “De Patafufo a Pará de Minas” (de 1961) o fazendeiro, líder político e escritor, José Augusto Corrêa de Miranda comenta a atuação durante a Espanhola, do médico Galba Veloso, seu amigo e na época residente em Pará de Minas, onde atendia em seu consultório ou se chamado, também na casa do cliente:  “Quando em 1918  a Espanhola transformou a cidade em hospital; quando os outros médicos abandonavam o campo, atingidos pelo mal: ele (Dr. Galba Veloso) atendia os doentes continuamente, dando-lhes todo o amparo possível”. De fato, a situação no Pará de Minas não deve ter sido diferente das de outras cidades. “A cidade foi transformada em hospital” segundo o memorialista,  porque na época a Santa Casa funcionava a título precário em modesto casarão no centro da cidade, no cruzamento das ruas Sacramento com Antonio Novato. Somente dez anos depois o HNSC seria inaugurado. A cidade, a sede do município, de acordo com o censo de 1920, registrou exatamente 5.272 habitantes, consideremos que em 1918 este número tenha oscilado um pouco para mais, ou para menos. Mas considerando toda a área municipal, cujas divisas iam da margem esquerda do Rio Paraopeba à margem direita do Rio Pará, a população total, incluindo a sede, somava 17.059 habitantes, espalhados pelos distritos e vilas de Mateus Leme (2.079 moradores); Florestal (1.245);  Igaratinga (2.308); São Joaquim de Bicas (1.889); São Gonçalo do Pará (2.502); São José da Varginha (1.764). Cada um destes distritos tinha o seu próprio cemitério, onde em cada um deles foram sepultadas as vítimas locais da Gripe Espanhola, cujos nomes certamente constam do “Livro Tombo” de cada capela. Em Pará de Minas as informações mais precisas foram exatamente as obtidas no mencionado livro da Paróquia de Nossa Senhora da Piedade, cujos registros foram manuscritos pelo próprio vigário Padre José Pereira Coelho, o padre Zeca. Desde a proclamação da República brasileira, quando o estado declarou-se laico, que os registros civis passaram à responsabilidade dos entes governamentais. Entretanto, no interior do país, principalmente nas pequenas cidades, o registro de óbitos continuou a ser feito pela Igreja, pela praticidade, pois nenhum falecido era sepultado sem que o padre local, ou o mais próximo, tomasse conhecimento do óbito. O defunto até podia ser sepultado sem a “encomendação” de sua alma; mas sem a missa de sétimo dia por intenção da dita cuja ninguém ficava e assim o pároco tomava conhecimento e lançava no livro: – no dia tal morreu fulano.

Para estimar o número de mortes causadas pela Gripe Espanhola na cidade de Pará de Minas, porquanto não houve nenhum registro oficial por parte da Câmara Municipal (a prefeitura) foi por dedução que cheguei aos números aqui apresentados, baseado no Livro Tombo e em notas esparsas em jornais da época, disponíveis  na hemeroteca do MUSPAM – Museu Histórico de Pará de Minas.  Dizem os alfarrábios que 55 (cinqüenta e cinco) cidadãos vieram a óbito em Pará de Minas, vitimados pela Gripe.

Confiram os sepultamentos em Pará de Minas, de anos antes e  anos depois de 1918, o ano da Espanhola. Uma explicação: nos registros, a designação “Inocentes” se refere a falecidos menores de dez anos de idade.

1915                                                                                                                                                                                                         Inocentes: 72                                                                                                                                                                                    Adultos: 54                                                                                                                                                                                      Total: 126

1916                                                                                                                                                                                                  Inocentes: 87                                                                                                                                                                                Adultos: 80                                                                                                                                                                                        Total: 167

1917                                                                                                                                                                                              Inocentes: 93                                                                                                                                                                                      Adultos: 98                                                                                                                                                                                      Total: 191     

                                                                                                                                                                                                      1918 –  O Ano da Gripe Espanhola                                                                                                                      Inocentes: 126                                                                                                                                                                                    Adultos: 120                                                                                                                                                                                      Total: 246

1919                                                                                                                                                                                                 Inocentes:  113                                                                                                                                                                                             Adultos:  91                                                                                                                                                                                         Total:  204

1920                                                                                                                                                                                          Inocentes: 93                                                                                                                                                                                    Adultos: 82                                                                                                                                                                                      Total: 175 

Sabe-se que a mortalidade infantil no Brasil era mesmo muito alta, até meados da década de 1960. Em Pará de Minas as estatísticas mostram que a quantidade de “anjinhos”  falecidos antes dos dez anos de idade,  só começou a cair após a década de 1950, quando a água distribuída à população passou ser de melhor qualidade. O médico Edward Moreira Xavier eleito prefeito da cidade em 1958, em seu plano de governo apresentado aos eleitores, fez questão de destacar o combate à mortalidade infantil. Mas números positivos dignos de nota só apareceram mesmo após 1979, quando a estatal COPASA assumiu na cidade  os serviços de tratamento de água e saneamento básico.

Cinquenta cinco mortes causadas pela pandemia da Gripe Espanhola em Pará de Minas, pode parecer um número pouco assustador, se comparados a pandemia do COVID 19, a peste que assola a humanidade cem anos depois. Mas deve-se considerar esta quantidade no contexto da população de Pará de Minas em 1918, ou seja: 5.272 habitantes, um por cento deles (55) vitimados pela peste. É algo como se 1.000 (mil) paraminenses viessem a óbito  na cidade vitimados pelo coronavirus. Obviamente que as condições sanitárias são infinitamente melhores  do que aquelas do tempo da Espanhola; a evolução da tecnologia e da ciência no combate às endemias e pandemias nem permite comparações com épocas passadas; a rapidez  da informação então dizer o que? A Gripe Espanhola matou entre trinta e cinqüenta milhões de pessoas em todo o mundo, cuja população estava em torno de UM BILHÃO E QUINHENTOS MILHÕES de seres humanos. Em 1918 não se identificou o número aproximado de mortos; a própria  gripe que nem espanhola era, só começou a ser notada depois que os norte-americanos entraram na 1ª Guerra Mundial em 1917, quando a Europa desde 1914 tinha se transformado no palco do conflito. Muitas evidências levam à conclusão de que em vez de na Espanha, a peste tenha surgido no interior dos Estados Unidos, em um acampamento de treinamento militar no Kansas, onde se preparavam soldados que seriam enviados aos campos de batalha europeus. Dizer que a peste tinha surgido na Espanha foi uma maneira de os países aliados se vingarem da Espanha, por ter este país preferido se manter neutro diante do conflito, além do governo espanhol permitir que a imprensa local divulgasse à exaustão noticias da pandemia. Sempre a política. A pandemia do covid 19, o mundo inteiro ficou sabendo que começou na China e presume-se que até o primeiro infectado foi devidamente identificado.

Apenas a título de curiosidade vale dizer que Divinópolis  em 1918 tinha aproximadamente a mesma população de Pará de Minas: 5.200 divinopolitanos viviam na sede do município, onde ocorreram duzentos óbitos causados pela gripe, ou 4% do total da população. Em Pitangui, na sede municipal, viviam em 1918 aproximados 5.330 habitantes e ocorreram quarenta óbitos.

Em dezembro de 1918 o vigário de Pará de Minas, Padre Zeca, numa de suas últimas missas dominicais do ano anunciou o fim da Gripe Espanhola na cidade. O padre concluiu simplesmente que aqueles cinqüenta e cinco óbitos a mais ocorridos em 1918 sobre o total de falecimentos do ano anterior foram em decorrência da Espanhola. Entretanto, apenas em 1920 o número de mortes em Pará de Minas voltaria ás médias dos anos pré-Espanhola.  O número de falecimentos em 1919, principalmente entre os “inocentes” se manteve bem elevado: 113; somente 13 a menos do que o ano anterior, 1918, o ano do pico da gripe.

Também em 1918 o comércio foi obrigado a cerrar suas portas; as duas fábricas de tecidos suspenderam o funcionamento; a população mais vulnerável foi socorrida com a doação de leite e alimentos. Todos se trancaram em casa, nem havia aonde ir. Poucas ruas eram iluminadas, para se ter um ideia, a Rua Alferes Esteves, no centro da cidade, só recebeu iluminação pública  em 1924. O rádio não havia sido inventado; os jornais chegavam à cidade com até dois dias de atraso; as informações oficiais chegavam pelo telégrafo e sempre lacônicas. Na prática, a impressão que se tem é a de que a Gripe Espanhola  acabou por decreto de Padre Zeca, anunciado do púlpito, naquela memorável missa no mês de dezembro de 1918.

Pelo menos os políticos não procuraram tirar vantagem da pandemia de 1918, que aliás teve uma eleição presidencial no mês de março, quando se elegeu o paulista Rodrigues Alves, que no começo do século já havia ocupado o cargo. A posse estava marcada para o dia 15 de novembro. Entre a eleição e a posse a Gripe Espanhola surgiu no cenário em setembro e infectou o presidente-eleito, que já idoso foi-se acabando em conseqüência  da doença, não chegando a assumir o cargo pela segunda vez, vindo a falecer em janeiro de 1919. Por sorte o Brasil era governado por um mineiro, Wenceslau Braz,   advogado, político à moda antiga, que nem sequer cogitou permanecer no cargo em razão do adoecimento do sucessor eleito de forma legítima. Na data prevista, Wenceslau transmitiu o cargo  ao vice-presidente eleito, outro advogado mineiro, Delfim Moreira, que sorte do Brasil, outro político exemplar. Aliás, Wenceslau e Delfim eram primos em primeiro grau e foram colegas na Faculdade de Direito de São Paulo.  Nasceram em cidades vizinhas no Sul de Minas, distantes poucas léguas entre si: Wenceslau na atual Brasópolis e Delfim em Cristina. Empossado, o presidente Delfim Moreira cumpriu a Constituição á risca. Diariamente comparecia à residencia do presidente eleito no Rio de Janeiro,  para com ele despachar o expediente da presidência da república. Que outro ocupante do cargo faria isto? Morto Rodrigues Alves em janeiro, Delfim logo convocou novas eleições, que elegeram o paulista Epitácio Pessoa presidente e o reconduziram ao cargo de vice-presidente. Elegantemente, logo após ser reempossado no cargo, Delfim Moreira retirou-se para a residencia da familia em Santa Rita do Sapucaí (MG), onde morreu precocemente em 1º de julho de 1920.

Volto a repetir: que sorte do Brasil em 1918, ano tão conturbado,  ter dois presidentes da república nascidos em Minas; políticos da velha e boa escola. E fico imaginando tais ocorrências políticas tão casuais, em 2020. O que seria do Brasil. Mesmo em Pará de Minas, o agente-executivo (cargo equivalente ao de prefeito atual) Torquato de Almeida conduziu-se de maneira sóbria durante a pandemia da Espanhola. E o que vemos hoje, quando a pandemia do covid 19 completa cinco meses: ao contrário de 1918 sobram informações, nas quais ninguém confia. Mesmo o boletim diário sobre a peste, que poucas pessoas conseguem entender, faz uma semana que não é divulgado e ninguém percebeu a falta dele, que coincide com a ausência da cidade do secretário municipal das Doenças, que reside em outra comarca. E o prefeito, também um estranho no ninho paraense de Minas, embora legitimamente eleito, num descuido monumental do eleitorado em 2016, segue afoitamente em campanha pela reeleição em pleito previsto para o fim do ano. Desconfio que o prefeito nem percebeu a ausência de seu secretário. (LUIZ VIANA DAVID)

 

 

 

 

Luiz David

One Comment

  1. Sem saber do passado fica muito mais dificil qualquer planejamento, Luiz. A história se repete e aprendemos com ela. A chamada gripe espanhola não difere muito do covid19 quanto às consequências. E, antes como agora, formas erradas foram utilizadas em seus combates. Falta de conhecimentos e de humildade dá nisso. Otima cronixa3, como sempre. Abraço fraternal.

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