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JOSÉ TIMÓTEO – UM PATAFUFENSE DE RESPEITO

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Um patafufense de respeito José de Timóteo de Carvalho foi uma das grandes personalidades de Pará de Minas no século passado. Um varão á moda antiga, correto nas suas ações, seguro nos negócios, exemplar chefe de família. Nas décadas de 1930 / 1940 explorou uma bomba de gasolina (a única da cidade) que ficava na Rua Benedito Valadares, quase esquina de Rua Dr. Higino. No final da década de 1940 fechou a bomba e inaugurou o seu posto na avenida Presidente Vargas, em frente á Praça de Esportes. O movimento era enorme: todos os veículos que rumavam ao sertão de Minas gerais, Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro faziam lá a sua parada para abastecimento,havia também um restaurante e uma pensão. Lidando com pessoas de toda as partes de Minas, a fama de sô José Timóteo corria o mundo, pelo sua seriedade e cortesia no trato, além do ótimo atendimento em seus estabelecimentos. José Timóteo de Carvalho nasceu em 24 de janeiro de 1894 e faleceu no ano 1982. Está sepultado no cemitério de Pará de Minas. Seus pais foram Felisbino Henrique de Carvalho e dona Maria Teresa de Carvalho. Aos 15 anos ficou órfão do pai e tornou-se o chefe da família. Seus irmãos foram Adriano, um mestre de obras na cidade, um dos construtores da estátua do Cristo Redentor, cartão postal de Pará de Minas; Jovino, que por muitas décadas trabalhou no Centro Literário e Djalma que brilhou com a camisa do Paraense E.C. José Timóteo foi casado com dona Maria Duarte, de tradicional família de Pará de Minas e tiveram três filhos: Nísio, José e Mariinha.
 
Logo depois de ficar órfão José Timóteo mudou-se para Belo Horizonte em busca de melhores oportunidades de trabalho. Conseguiu empregar-se no grande estabelecimento comercial de propriedade do comendador Arthur Viana, que ficava na Avenida Santos Dumont esquina com a Praça da Estação. Ganhou a confiança do comendador e de sua família, que o consideravam um membro da família. Num dia qualquer do ano 1921 José Timóteo percebeu que um certo tenente do Exército estava passando há vários dias e repetidas vezes em frente á loja e a residencia do comendador. Resolveu abordar o militar e a quem perguntou se podia ajudar em alguma coisa, pois estava evidente que queria falar com alguém da casa. O tenente então se apresentou: -eu sou o 2º tenente Humberto Castelo Branco, sou cearense e fui transferido para Belo Horizonte para servir no 12º RI. Conheço do Rio de Janeiro a senhorita Argentina Viana, filha do comendador. Eu tenho boas intenções para com a senhorita e gostaria de falar com o pai dela, mas não consigo encontrá-lo. O senhor pode me ajudar a concretizar esta intenção? José Timóteo disse que sim; que o tenente voltasse no outro dia que ele conversaria com patrão ao final do expediente. O Tenente Humberto Castelo Branco e a senhoria Argentina tinham se conhecido no ano anterior durante uma festa no Rio de Janeiro onde a família estava veraneando. Foi um caso de amor á primeira vista. Os dois passaram se corresponder mas as cartas que ele enviava seguiam para o endereço de uma prima de Argentina, pois o quase namoro não era do conhecimento do comendador nem de sua esposa. Agora o jovem tenente estava ali para encarar o mais importante comerciante da capital mineira e ele não passava de um 2º tenente. Como prometido José Timóteo conversou com seu patrão sobre o tenente que estava querendo se tornar seu genro. O comendador ouviu bem o que dizia o seu fiel escudeiro e apenas respondeu; mande vir o tenente, quero conhecê-lo, mas quem vai decidir será a própria Argentina, afinal de contas filhas são para casar mesmo. Na tarde seguinte lá estava á porta da loja o ansioso tenente, que foi conduzido ao escritório chefe pelo fiel servidor José Timóteo. Resumo da ópera: o sogro Arthur Viana permitiu o namoro da filha com o tenente sob certas condições: o militar só podia fazer a corte nas noites de terças-feiras, quintas e domingos; e só até ás 21 horas. Ah! o Timóteo ficará encarregado de fiscalizar os horários para mim e noticiará qualquer novidade. O cerimônia do casamento aconteceu na própria residência da família da noiva em 06 de fevereiro de 1922, uma sexta-feira.
 
Enquanto serviu em Belo Horizonte, o tenente Castelo Branco sempre demonstrou grande estima pelo nosso conterrâneo José Timóteo. Castelo Branco e Argentina tiveram dois filhos: Antonieta e Paulo. Dona Argentina faleceu em 23 de abril de 1963, de infarto do miocárdio. Seu corpo está enterrado no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro Em 15 de abril de 1964 o tenente ou melhor, o Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco foi empossado no cargo de Presidente da República Federativa do Brasil. Ficou no cargo até 15 de março de 1967 Ele faleceu no Ceará, em acidente aéreo no dia 19 de julho de 1967, quatro meses depois de deixar a presidência do Brasil Em 1966 quando o comendador completou 89 anos de idade recebeu um grupo seleto de amigos e parentes para um jantar comemorativo. Entre eles, o grande e glorioso José Timóteo de Carvalho, que gozou da amizade dos patrões enquanto eles viveram.
 
Vejam as fotos. (ACERVO: José Primo Duarte – ex-vereador) José Timóteo é o 5º a partir da esquerda (terno preto). Á mesa o comendador Artur Viana e sua esposa e presiden da República Humberto Castelo Branco. Na outra foto um carinhoso bilhete do comendador a José Timóteo.
A imagem pode conter: 16 pessoas, casamento, mesa e área interna

Luiz David

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