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MÁQUINA DO TEMPO

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Como teria sido se os tucanos tivessem vencido as eleições em 2010

2010. O tucano José Serra vence a eleição presidencial já no 1º turno por larga margem de votos (59% a 41%), confirmando o desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apostou todas as suas fichas numa candidata quase desconhecida.
2011. O novo presidente é empossado e no discurso de posse garante que seu governo apoiará irrestritamente a realização dos eventos esportivos de grande porte, previstos para acontecerem no Brasil nos próximos anos.
2011. Os Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro acontecem com grande êxito, mesmo sendo considerado tecnicamente uma competição meia-boca. Nem mesmo as denúncias de corrupção que pipocaram nas redes sociais embaçaram o sucesso do Pan do Rio. Petistas ficaram calados sobre as denuncias, afinal de contas as grandes obras aconteceram durante o governo do aliado Sérgio Cabral, que teve apoio irrestrito do presidente Lula. Na abertura dos Jogos, o presidente José Serra foi bastante aplaudido ao lado do senador mineiro e correligionário Aécio Neves. Sobre as denúncias o presidente Serra declarou que compete aos Tribunais de Contas da União e do estado do Rio apurarem as denuncias.
2013 – A Copa das Confederações, evento organizado pela FIFA, uma espécie de pré-Copa da Mundo, reúne as seleções campeãs continentais, a última campeã da Copa do Mundo e o país-sede. É uma espécie de “laboratório”, visando corrigir eventuais falhas durante a Copa do Mundo prevista para 2014. Mais um sucesso de organização e de público. Se alguma falha houve, a imprensa e o governo preferiram relevar, mas a FIFA certamente ficou sabendo e saberá corrigir o que falhou. Fantástica foi a participação da população. Dezenas de milhares de brasileiros de todas as idades e classes sociais foram às ruas saudar as sete delegações visitantes.Todos fortemente imbuídos do mais alto espírito patriótico. Tudo na mais perfeita ordem. O presidente José Serra esteve em todas as cidades -sede capitalizando os dividendos politico/eleitorais do torneio, que em boa hora acontece no Brasil, oportunidade do Brasil e seu povo mostrarem o elevado grau de desenvolvimento alcançado (palavras do Presidente Serra).
As oposições,principalmente petistas, irritadas, ameaçam protestos de rua, mas não conseguem levar mais do que meia dúzia de gatos-pingados (provavelmente pagos) às manifestações. Em “off” Lula reclama de não ter sido convidado para a abertura da Copa das Confederações, o que já ocorrera por ocasião do Pan do Rio. Logo ele, que com seu irresistível charme convenceu a FIFA e o COI a trazerem os jogos para o Brasil. A imprensa nacional esqueceu Lula e o PT, Antes, durante e depois da copinha, passou o tempo exaltando o acerto da realização dos eventos em nosso país, sempre lembrando aos leitores, ouvintes e telespectadores a importância de receber bem os turistas estrangeiros.
2014. Tudo pronto para a Copa do Mundo, a Copa do Brasil, como esgoelam nos microfones os enlouquecidos locutores de rádio e televisão. Na verdade, nenhum dos estádios da Copa está absolutamente concluído. Nem o “Allianz Park”, do Palmeiras (SP), time do coração do presidente Serra. Mas isso é apenas detalhe, coisa miúda, diante da responsabilidade do país em organizar uma Copa do Mundo pela segunda vez. No jogo de abertura da Copa, o presidente José Serra e o governador paulista Geraldo Alkmin chegam nos braços do povo ao ‘Parque Antártica, ops, ao Allianz Park e são delirantemente aplaudidos. O puxadinho feito às pressas para aumentar a capacidade de público não recebeu o alvará dos Bombeiros, mas tudo foi resolvido na véspera, quando o governador demitiu o comandante da corporação acusado de petismo e nomeou outro mais dócil, apesar de corinthiano, que assinou logo o alvará. Suprema maldade, pela terceira vez o presidente José Serra deixa de convidar seu antecessor para uma solenidade de abertura. Lula entra em depressão com tanto descaso sai da cidade para um descanso no sitio em Atibaia, que prolonga com uma passagem pelo apartamento triplex no Guarujá, que costuma usar desde os tempos da presidência.
A imprensa, rádios, tevês, redes sociais, enlouquecida, só sabe elogiar a realização da Copa no Brasil No intervalo entre um jogo e outro, cartolas da CBF e da FIFA são homenageados pelo Congresso Nacional, todos eles recebem a Medalha do Cruzeiro do Sul, a mais importante condecoração brasileira. No final da solenidade, o centenário João Havellange, José Maria Marin, Marco Polo del Nero, Ricardo Teixeira,Joseph Blatter e Jerônimo de tal, secretário-geral da FIFA posam na rampa ostentando as brilhantes comendas, todos de olho em Marin, que costuma agir com sua mão grande nessas ocasiões.
Depois das fases de oitavas, quartas e semi-finais Brasil e Alemanha se encontram no Maracanã, com todos os seus 110 mil lugares tomados. Uma pena que reduziram a capacidade do estádio”, devaneia o presidente Serra, “do contrário teríamos aqui hoje mais de duzentas mil pessoas, como em 1950”. É acordado pelo foguetório.
Alemães e brasileiros fazem um belo espetáculo. Do lado chucrute, o fantástico Özil, desliza pelo gramado, enfiando bolas para o grande artilheiro Levandowiski, primo distante de um ministro do STF. Mas o menino Neymar está impossivel e antes dos trinta minutos marca quatro vezes e termina o primeiro tempo com o Brasil na frente 4 X 0.
Nas tribunas os figurões se esbaldam. O vice-presidente da república, Indio do Brasil, está em casa e é o anfitrião perfeito. O governador do Rio está hospitalizado depois de quebrar o “pesão” numa partida de futebol soçaite, promovida pelo apresentador Tucano Huk em sua ilha.
Lula veio ao estádio incógnito,na condição de sósia do ator Antonio Pedro.
Começa o segundo tempo. Neymar faz mai um gol e é substituído por Fred, atacante do Fluminense, numa demonstração clara de “média” do técnico Scolari, que deverá assumir o comando do Flu depois da Copa. Aos trinta minutos a Alemanha desconta com Özil. De raiva o Brasil força o ataque e marca mais quatro vezes, duas delas com Jô e duas com Bernard, ídolos do Galo Mineiro.
O jogo acaba: inacreditáveis 9 a 1 para o Brasil, hexa-campeão do Mundo.
O país vai a loucura. Os cartolas brasileiros descem para o gramado e recebem as medalhas alusivas à conquista. Os jogadores, ocupados em dar voltas e mais voltas olímpicas no gramado nem percebem. Os alemães recebem a premiação no vestiário e do estádio seguem para o aeroporto onde embarcam de volta ao país deles, onde os esperam enormes manifestações de protesto pelo vexame. Em Aachen, cinquenta mil pessoas ameaçam linchar um transeunte que agitava uma bandeirinha brasileira: acho que era o Tonhão do Zé Mendonça, que vive naquela cidade. A Bundesliga anuncia a suspensão por tempo indeterminado do goleiro e de toda a linha de zagueiros. O técnico Joachim Low é repatriado para Portugal, país de origem de seus ancestrais. O Benfica, clube lisboeta, que havia anunciado a contração do goleiro Julio Cesar, agora quer também o técnico íbero-alemão.
José Serra pega a caneta presidencial e decreta feriado nacional pelo restante do mês de julho. Chirico está empolgadíssimo, principalmente por que em menos de noventa dias haverá novo pleito eleitoral, quando ele tentará a reeleição. Os institutos de pesquisas dão a ele 88 % das intenções de votos contra um combalido Lula.
Na surdina e com o silêncio da grande imprensa, Aécio Neves propõe ao Congresso o direito de reeleição até por quatro vezes do Presidente da República. Em troca pelo mimo de Aécio, o presidente Serra troca o vice: sai Indio e entra o mineiro.
Em outubro José Serra é reeleito presidente com 70% dos votos. Com a polêmica internacional criada pelas escolhas de Rússia e Qatar como sedes das Copas de 2018 e 2022, Serra propõe à FIFA que as duas copas voltem para o Brasil, afinal aqui já está tudo pronto, brasileiro é muy amigo e faz sol e calor o ano inteiro. Ricardo Teixeira, novo presidente da entidade, encampa a sugestão que deverá ser aprovada em próximo congresso da entidade.
Lula sumiu. Ele, Zé Dirceu, o Genoíno e todos os outros desapareceram, até mesmo aquela moça de Minas, que perdeu a eleição em 2010, como é mesmo o nome dela? Foram vistos pela última vez no final de outubro, descendo de canoa, o canal de transposição do São Francisco rumo ao Ceará.
(Teria sido mais ou menos assim, se o tucano José Serra tivesse ganhado as eleições em 2010. Como quem venceu foi o “poste” de Lula, a vingança tucana desde então tem sido cruel. Incendiaram (os tucanos) o país desde então na ânsia de avacalhar os grandes eventos internacionais previsto para o Brasil).
2016 – Vêem aí os Jogos Olímpicos do Rio. Eu acredito que serão os maiores da história, incluindo aí os jogos antigos, organizados pelos gregos. È a primeira vez que as Olimpíadas acontecem na América do Sul; a terceira vez no hemisfério sul (as outras duas foram na Austrália – Melbourne (1952) e Sidney (2000).
Olimpíadas no Brasil, depois de um Panamericano e de uma Copa do Mundo. Com um partido trabalhista no Poder. Isto dói no magoado coração tucano.
“Se pelo menos fôssemos nós o Partido no Poder”, deve pensar Zé das Couves, que preside a célula do PSDB na provinciana e burguesa Paris de Minas, rincão perdido do vale do São Francisco, interior do Brasil.
A inveja é uma merda.
Tem gente que além de não saber perder, ignora olimpicamente as virtudes do adversário.
Então, brasileiros, que venham os Jogos do Rio. faltam apenas 180 dias.
(LUIZ VIANA DAVID)

Luiz David

One Comment

  1. Sem dúvida, eu preferiria esse desfecho. Mas depois do 7 a 1, eu não retirei da porta da minha casa nem a bandeira alemã, nem a brasileira. E comemorei depois o título da Alemanha. Como alemão, pela vitória do meu segundo país. Como brasileiro, porque a Alemanha evitou que a Argentina saísse vitoriosa do Maracanã.

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