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SAUDOSOS SETEMBROS

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SAUDOSOS SETEMBROS

Setembro chega amanhã e com ele as boas lembranças de um jeito de ser paraense de Minas que tinha o seu apogeu no chamado “mês da flores”, que era o mais esperado do ano, por ser o mais festivo, com três feriados consecutivos: dias sete, quinze e vinte. Como não relembrar os desfiles cívicos do “Dia da Pátria”, quando a multidão que entupia a Rua Direita aplaudia os garbosos grupamentos representativos de nossas escolas e suas animadas fanfarras. Desfilei alguns anos pela Escola de Comércio e com que orgulho eu e meus colegas adentrávamos a passarela, trajando calças escuras, camisas brancas de mangas longas e gravatas pretas. Mas a escola mais esperada sempre foi o Instituto Coronel Benjamim Guimarães (o Patronato), quase sempre a vencedora do desfile na opinião das milhares de pessoas espremidas ao longo da via. E tinha as fanfarras, que eram um show a parte: a do Colégio das Irmãs (Berlaar) com a esfuziante e sempre linda Terezinha Beleza à frente, arrancando aplausos, é uma lembrança recorrente a todos que viram de perto aquelas gloriosas manifestações de civismo.

Na noite de 20 de setembro era a vez do monumental desfile comemorativo do aniversário da cidade. Dele participavam não apenas os estudantes, como também representações de empresas, clubes esportivos, entidades de classe e religiosas. Dezenas de carros alegóricos fechavam o desfile por volta de onze horas da noite.
No dia 15 os eventos eram religiosos, por se tratar da comemoração do dia da Padroeira. Após concorrida procissão era aberta a quermesse, que por aqui sempre foi chamada de “barraquinhas”, com seus leilões, bingo e serviço de alto-falantes, através do qual “o elegante rapaz de terno azul-marinho oferecia uma música à gentil senhorita de blusa amarela, como prova de carinho e consideração”.

Em alguns anos, a prefeitura bancava um show com artista popular de renome nacional. Por duas ou três vezes a artista contratada para abrilhantar a festa foi a cantora paraguaia Perla, de quem o prefeito José Porfírio (o pai) era fã ardoroso. Noutras oportunidades vieram os cantores Agnaldo Timóteo e Sérgio Reis.

Setembro em Pará de Minas era tudo de bom e simples,até mesmo o Baile da Rainha dos Estudantes, considerado o mais importante evento social do ano, que reunia a fina flor da sociedade patafufense. As candidatas ao título desfilavam na passarela usando vestidos longos feitos com legítima flanela produzida pela companhia de tecidos, popularmente conhecida como “fábrica do Sítio”, que sempre foi a principal patrocinadora do baile. O diretor-presidente da empresa costumava presidir também o júri que escolhia a vencedora.

Os adeptos de esportes eram lembrados: no estádio Ovídio de Abreu, o Paraense, clube dono da casa, enfrentava até mesmo adversários profissionais. No Clube Praça de Esportes, torneios de futsal, voleibol e basquete movimentavam suas quadras.

A classe empresarial não apreciava muito o festivo mês que tem apenas trinta dias. Dependendo da conjugação das três datas setembro costumava ter menos de quinze dias considerados úteis, o que causava grande transtorno na contabilidade das empresas, pois essa mania de emendar feriados é coisa antiga. Por isto, na década de 1990 o dia 20 de setembro foi excluído do rol dos feriados e transformado em ponto facultativo. Atualmente, apenas os servidores públicos municipais guardam a data.

Mas uma coisa é certa: não dá para esquecer dos velhos setembros de nossas vidas.

Luiz David

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