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Um Instante (para o) Maestro

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Na foto meu avô e maestro Emidio de Melo e vovó Zica com os filhos nascidos até 1915 (ano da foto), aparecendo as tias Luiza, Maria Luiza e nos braços da mãe Maria Clara; o menino maior é José Emidio e no velocípede Emidio José Filho, o Emidinho.

Um Instante (para o) Maestro 

Transcorreu em 18 de maio último o 95º aniversário de falecimento do do meu avô,  musicista, maestro, alfaiate e operário Emídio José de Melo que nasceu em  23 de março do ano 1868 e faleceu  portanto aos  57 anos de idade  em 18 de maio de 1925. 

Meu avô, o maestro,  descende em linha direta de João José de Melo falecido em 1813 e de Dona Francisca Angélica da Purificação e Melo. Deste casal provém todos os ramos da ‘família Mello ou Melo’ da antiga Vila de Nossa Senhora da Piedade do Patafufo = Cidade do Pará = Pará de Minas. O local de nascimento do patriarca João José de Melo e de sua esposa ainda não está definitivamente apurado.

Neste artigo o objetivo é focalizar  particularmente o ramo familiar que descende de Júlio José de Melo (filho do patriarca) e de sua esposa  Dona Catarina Carolina e assim meu tetravô. Este ancestral foi  personagem de relevo da antiga Vila do Patafufo e a partir de 1859 da Vila do Pará recém emancipada. Em 09 de agosto de 1848 ele foi promovido a Capitão da 2ª Companhia do 5º batalhão da 1ª Legião. Era filiado ao Partido Liberal  e em 1861 foi o 3º Juiz de Paz; também presidiu o Colégio Eleitoral  de 1861.

Foram filhos de Júlio José de Melo e Dona Catarina Carolina:

1º filho: João José de Melo – Ourives de profissão, nascido em 1827, faleceu solteiro (DNC = data não conhecida); 

 2º filho: Antonio José Zeno de Melo –  Músico, nascido em 1832. participou da Guerra do Paraguai como músico de 1ª Classe conforme consta de sua baixa do Exercito Imperial, documento que integra o acervo da família. Antonio José Zeno de Melo foi  o pai de Júlio José de Melo Sobrinho, dito Julinho Marzagão (n.1854 – f.1921),  que se casou duas vezes: a primeira vez com dona Alexandrina Cândida de Moura e Melo com quem teve cinco filhos a seguir nomeados: Antonio Zeno de Melo (n.1879) que se casou com Donana; Maria José de Melo (n.1880) que se casou com Francisco de Assis Marinho; Maria Rosa de Melo (n.1885) que se casou com Inácio Alves Franco;  José Júlio de Melo o “Juca” (1887) que foi casado com Dona Maria da Piedade de Melo e finalmente Maria Lourença de Melo casada com José Fidélis.

No dia 13 de junho de 1891 faleceu prematuramente Dona Alexandrina Cândida deixando o viúvo Julinho Marzagão com 37 anos de idade e os cinco filhos mencionados anteriormente, cujas idades variavam entre 01 ano a caçula aos 12 anos do primogênito .

Jovem ainda e no pleno vigor da mocidade,  Julio José de Melo Sobrinho   não demorou a contrair um segundo matrimônio, desta vez com uma jovem, pouco mais do que uma menina, Elisa Pacífica de Oliveira de catorze anos, filha do coronel Inácio Alves Franco, de tradicional família da São Gotardo, na região do ‘alto Paranaíba’ . Assim, a jovem Elisa ao casar-se tornou-se madrasta de cinco enteados, os filhos  do primeiro casamento  do seu esposo. 

Quis o destino, que passados alguns anos, um irmão de Elisa, de nome Inácio Franco, se encantasse com a jovem Maria Rosa, uma das filhas do primeiro casamento de seu cunhado Julinho Marzagão e enteada de sua própria irmã Elisa. Donde se formou este aranzel que requer pesquisas mais aprofundadas para ser melhormente explicado.

Voltemos pois á prole de Júlio José de Melo e Dona Catarina Carolina:

3º filho –  José Júlio Alves de Melo (n.1838 / m. 1894) casado com Dona Romana Angélica da Cruz (n.1842 / m.1902) foram meus bisavós, posto que  pais de meu avô, o maestro Emidio José de Melo e de dois outros filhos: João Luiz de Melo (n.1864 /m.1937) que foi casado com dona Emilia Augusta Xavier (n.1869 / m.1943) e;  José Augusto Alves de Melo (n.1866 / m.1943) que foi casado com Dona Idalina Cândida do Carmo (n.1869 / m.1941).

4º filho – Júlio José de Melo Júnior (n.1840 – f. 1895) casado com Dona Maria Amélia da Cruz  (n.1843 – f.1891)

UM DETALHE; Dona Romana Angélica da Cruz era irmã de Dona Maria Amélia da Cruz, deste modo foram além de irmãs, concunhadas entre si;  e os respectivos esposos também: Júlio José e José Júlio. Elas eram filhas do Capitão João da Cruz e Silva  Marques e de Dona Umbelina Cândida de Jesus.

Capitão JOÃO DA CRUZ e Silva Marques, meu trisavô materno ao seu tempo foi o Coletor Geral do município do Pará (o nome de Pará de Minas até 1920). Seu nome foi dado a uma das mais movimentadas ruas do bairro de Nossa Senhora das Graças. Em seu primeiro quarteirão por mais de cem anos (até a década de 1980) funcionava a zona boêmia da cidade, o que nada tem a ver com esses escritos. Quero só deixar registrado.

Da descendência de José Júlio Alves de Melo e Dona Romana procedem a família “Melo David” á qual eu pertenço.

Da descendência da  família formada por Júlio José de Melo Júnior e Maria Amélia da Cruz  surgiu a família “Melo Machado”, da minha querida prima Umbelina Felicidade de Melo, a brilhante advogada doutora Guiguinha, que aliás é autora de boa parte dos estudos genealógicos aqui apresentados. 

Retomemos a história do meu avô, o maestro Emidio de Melo, que apresentei logo no primeiro parágrafo,  cujo 95º aniversário de falecimento transcorrido em 18 de maio de 2020 levou-me  a escrever essas informações, para muitos uma lenga-lenga sem fim, mas para dezenas de outros um assunto deverasmente interessante.

Para falar de meu avô é preciso antes apresentar a “Cidade do Pará”  sede do Município do Pará, que era enorme e recentemente (1859) emancipado de Pitangui. Os limites do Município do Pará incluíam todo o território dos atuais municípios de Itaúna, Mateus Leme, São Joaquim de Bicas, Juatuba, Florestal, São José da Varginha, Pequi  Igaratinga, São Gonçalo do Pará e Carmo do Cajuru. Juntando tudo o Pará era um dos mais extensos e  populosos municípios da província de  Minas Gerais, cuja capital era Ouro Preto (até 1897, quando Belo Horizonte foi inaugurada e a sede do governo para lá se transferiu). Meu avô tinha vinte anos de idade quando foi abolida a escravidão no Brasil (13 de maio 1888) e  vinte e um anos quando ouviu um tropeiro que chegou á cidade dizer que o Brasil tinha se tornado uma república em 15 de novembro de 1889. A cidade porém era pequenina com aproximadamente vinte ruas poeirentas ou barrentas dependendo da estação e a sua pequena população de aproximados três mil moradores desde aquela época já se acomodava justamente na parte mais profunda do caudaloso e mui piscoso Ribeirão Paciência. Tão piscoso e caudaloso era o Paciência e tão ameno era o clima do lugar que talvez cem anos antes, o português Manoel Batista, apelidado “Patafufo”  se encantou com estas paragens e por aqui se arranchou e logo construiu a sua casa dando o pontapé inicial da nossa municipal história. Manoel Batista não foi um bandeirante, mas sim um negociante e aventureiro. As plagas que levariam seu nome eram fartas em água e terras férteis; mais importante porém:  ficava a a menos de dez léguas de Pitangui, a sétima vila do ouro e uma das maiores cidades do Brasil.  Manoel Batista que não era bobo nem nada construiu sua casa bem á beira do  caminho que conduzia  a Pitangui. E o movimento era tão intenso que não demorou muito até que outras casinhas fosse surgindo á beira do caminho; o que aumentava os negócios do Manoel, fator que enchia o coração dele de alegria e as suas burras de dinheiro.

Em 22 de março de 1868 quando nasceu o maestro Emidio José de Melo, o município do Pará tinha apenas nove anos de emancipado (1859) e três anos depois (1872) perderia esta condição em consequência de uma disputa política em Pitangui, envolvendo os dois partidos rivais naquele tempo: Partido Liberal  X  Partido Conservador. Os liberais também chamados de “chimangos” tinham assumido o poder no Pará recém emancipado, enquanto na “Velha Serrana” como Pitangui também era conhecida reinavam os conservadores apelidados “cascudos” que nunca se conformaram com a perda do Patafufo transformado em Vila do Pará. Tanto fizeram os cascudos conservadores que conseguiram que a Assembléia Provincial sediada na capital Ouro Preto anulasse sua própria Lei de nº 882 de 08 de junho de  1858 que levou á emancipação do Patafufo  no ano seguinte. Porém, os chimangos não dormitavam, usando das mesmas armas dos adversários conseguiram reverter o quadro, reconquistando a emancipação do Pará pela Lei 2081 de 23 de dezembro de 1874. Entre os próceres cascudos notabilizou-se a família Capanema; enquanto dentre os chimangos foi notável a presença dos Cordeiro de Campos Valadares. Todos primos entre si , descendentes da célebre Dona Joaquina Bernarda da Silva de Abreu Castelo Branco de Oliveira Campos – dona Joaquina do Pompéu, falecida em 1825, a grande matriarca do Oeste de Minas Gerais. A rivalidade entre a parentela da fazendeira atravessou os decênios e ainda pode ser notada em suas sutilezas não apenas em Pitangui, como também nas dezenas de municípios dela desmembrados. Não é atoa que Pitangui também é reconhecida como a “célula mater” do centro-oeste de Minas Gerais. Em Pará de Minas  então, é ainda mais fácil perceber quem são os cascudos e quem são os chimangos. Brigam por coisinhas miúdas só para não darem o braço a torcer. No passado a disputa era para ganhar a simpatia do Imperador ou dos presidentes da provincia;  no Século 21 a disputa é muito mais por um lugar á sombra das pompas, das benesses que o Poder proporciona e por um lugar na primeira fila, senão no palanque, onde se desenrola e se faz notar a liturgia  que edulcora as ações daqueles que detêm o poder de decidir sobre a vida das pessoas; os que mandam prender e soltar; que ordenam: chova! e água despenca do céu abundantemente.

Quando meu avô nasceu a Guerra do Paraguai que tinha começado em dezembro de 1864 estava em seu quarto ano de ferozes combates;  ela só terminou em 1º de março de 1870, vinte e três dias antes do maestro completar seu segundo aniversário. Decorridos alguns meses  retorna do campo de batalha ao Pará o músico Antonio José Zeno de Melo, tio de meu avô. Provavelmente foi este parente que despertou em meu avô o interesse pela música.                  No perfil que traçou do maestro inserido no livro “Pará de Minas meu amor” (de 2009) minha prima Maria Helena “Melo Teodoro” Alves escreveu que: “O envolvimento de Emidio de Mello com a música  se deu ainda muito cedo. Quando criança, ele costumava ir à casa de seus parentes (avô e tios) para ouvi-los tocar. Sua curiosidade, própria de garoto de dez ou doze anos, levou-o a manusear compêndios e partituras; e ele acabou se familiarizando com as notas musicais. Foi tal a sua empolgação que não teve dúvidas: queria ser músico. Aprendeu a tocar vários instrumentos, mas foi o violino que ele adotou como o seu predileto e, por ser um instrumento de difícil aprendizagem, procurou a cada dia aperfeiçoar mais a sua técnica, o que levou alguns anos.                                                O jovem violinista ficou famoso. Todos queriam ouvi-lo tocar. Marcou presença em saraus, festas religiosas e populares do Pará e de cidades vizinhas. Mesmo sem mídia e tecnologia, subsídios fundamentais no Século XXI para os artistas se mostrarem e divulgarem seu trabalho, Emidio de Mello operou um milagre. Levou entretenimento a seus conterrâneos durante décadas , além de incentivá-los na aprendizagem da música. Isso leva a crer que ele tenha sido o precursor e fundador do movimento musical da cidade. Foi batalhador e não se deixou esmorecer por obstáculos, agindo sempre com liderança e determinação”.   

Entre a data de seu nascimento em 1868 até o ano 1902 no alvorecer do Século XX meu avô foi figura destacada na pequenina Vila do Pará, tocando o seu violino ou costurando calças. Testemunha ocular da história tinha quatro anos  quando a Vila foi  “desemancipada”, digamos assim, em 1872;  e seis anos quando o Pará  recuperou a sua autonomia de Pitangui em 1874. Na juventude tomou conhecimento da criação da Comarca do Pará em 1891  e certamente assistiu a cerimônia de sua instalação e posse do primeiro Juiz Pedro Nestor, em 1892. Sendo um jovem culto deve ter vibrado com a criação do primeiro jornal da cidade que circulou pela primeira vez em 25 de março de 1894, dois após o maestro celebrar o seu 26º aniversário de nascimento.  Em maio de 1900 tomou posse como vereador à Câmara da Cidade do Pará, mandato que exerceu até janeiro de 1902. O cargo de vereador naqueles primeiros anos da república brasileira era altamente dignificante e não remunerado. Era uma cadeira dificil de ser conquistada, até mesmo por que o voto era altamente qualificado e apenas uma parte da população a ele tinha direito. A metade feminina da população brasileira por exemplo só veio ter direito ao exercício do voto a partir de 1934; analfabetos também não votavam nem eram votados e eram 53%; só os maiores de 21 anos podiam votar, o que enxugava ainda mais o colégio eleitoral. Numa população de quatro mil habitantes  retirando todos os impedidos, o colégio teria algo em torno de mil eleitores. 

Encerrado o mandato de vereador o maestro deu uma guinada em sua vida. Prestes a  completar 34 anos  ele recebeu e aceitou um convite para lecionar música na localidade de Abadia de Pitangui, atualmente a cidade  Martinho Campos. Seu espírito jovial, sociável  e bem humorado conquistou a simpatia do povo hospitaleiro da pequena comunidade que tinha com o maestro um ponto em comum: o amor pela música; por isto a sua sala de música estava sempre cheia de pessoas interessadas pela arte musical. No meio dessas pessoas um bela aluna, catorze anos mais nova do que o maestro, Luiza Dirino Arruda; filha do casal fazendeiro Herculano Arruda e Maria Eduarda de Faria, dona de casa. Foi um caso de amor á primeira vista e no dia 25 de julho de 1903 eles se casaram na capela de Abadia. Quando meu avô retornou ao Pará em 1906 trouxe  junto a família formada pela esposa e pelos dois primeiros filhos: Maria Luiz e José Emidio. Depois de instalados meu avô retomou as suas atividades musicais arregimentando novos músicos  que passaram a fazer parte de sua nova banda. E voltou também á tesoura pois a família só aumentava. Em 1908 quando a primeira fábrica de tecidos da cidade (Cia. Industrial Paraense) entrou em funcionamento o maestro foi convidado a exercer a função de chefe da seção de alvejamento. Na época as empresas não tinham um setor de controle de qualidade; o setor que meu avô foi chefiar acumulava o trabalho. Os diretores queriam uma pessoa meticulosa, articulada e com espírito de liderança, queriam um maestro para s seção de alvejamento e meu avô era isto tudo.  Na fábrica ele trabalhou por quase dez anos, respeitado pelos diretores e pelos colegas operários.

Simultaneamente cuidava da banda, que apesar ter sido batizada “Lira Santa Cecília” foi consagrada pelo povo como a “Banda do Maestro Emidio de Melo”.  Animavas as retretas e as festas religiosas e a partir de 1909 também os cordões carnavalescos. Todos os acontecimentos sociais e políticos de relevância requeriam  a presença da banda e á frente dela lá esteve meu avô: inauguração do primeiro edifício-sede  do fórum da comarca em 1905; inauguração do serviço telegráfico que inseriu  o Pará na rede de comunicação mundial, tipo a internet da época; na chegada do primeiro trem á cidade em 1912 lá estava na gare o maestro Emidio de Melo e sua banda, saudando entusiasticamente com um retumbante dobrado o majestoso “cavalo de ferro” que apitava, bufava e soltava fumaça enquanto  se aproximava  da estação, abafando os acordes da Lira. Em 1915 a banda abrilhantou o lançamento da pedra fundamental do Hospital Nossa senhora da Conceição. Foi na década de 1910 até pouco antes de sua morte em 1925 que o Maestro Emídio fez aquele trabalho que mais prazer lhe dava. Com a abertura do primeiro cinema na cidade abriu-se nova oportunidade de trabalho para músicos, pois os filmes eram mudos o que requeria uma pequena orquestra postada ao lado da tela executando músicas conforme a ação transcorria na tela: temas românticos mais lentos; ou mais apressados e retumbantes nas cenas de ação. O maestro costumava levar os filhos maiorzinhos ás sessões em que fosse animar e  assim minha mãe e meus tios e tias adquiriram boa cultura cinematográfica que repassaram aos filhos.  Entrou para o folclore da cidade um episódio inusitado: em certa sessão quando era exibido um filme muito aguardado e o cinema estava lotado, o maestro levantou-se e executou de maneira magistral um solo com seu violino, enlevando os espectadores que não sabiam se olhavam a tela ou o vovô ao lado dela mandando ver com  o arco que deslizava suavemente sobre as cordas. Terminada a execução o maestro fez o movimento para se  sentar na cadeira em xis, só que não, pois acadeira fechou-se e e vovô caiu sentado no chão; silêncio  absoluto na platéia, um dos músicos ajudou o maestro a se levantar e tranquilamente   como se nada houvera acontecido apenas bateu as costas das mãos na parte da frente de seu paletó como se tirasse alguma poeira e só então sentou-se novamente.

Meus avós passaram aos filhos todo o seu conhecimento musical e todos chegaram a tocar até mais de um instrumento. Minha mãe tocava bandolin e formou uma célebre dupla com minha tia (e madrinha) Quinha Teodoro, mas sempre se apresentaram apenas em reuniões familiares. Ao morrer, com 57 anos de idade, meu avô deixou minha avó com com oito filhos menores; a primogênita Maria Luiza havia se casado anos antes com o marceneiro Valfrido Varela e já tinham dado dois netos ao maestro: Genésio e Elaine. Voltarei a falar da familia após a morte do meu avô. parentela fascinante. (LUIZ VIANA DAVID)

 

 

 

 

Luiz David

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