0

ZICO MELLO FRANCO

FacebookTwitterGoogle+

ZICO MELLO FRANCO

Uma das personalidades que mais marcaram Pará de Minas nos últimos sessenta anos, sem dúvida, foi Zico Mello Franco. Hoje, aos oitenta e sete anos, vive praticamente recluso em sua residência na Rua Dr. Cândido, no centro da cidade, de onde sai apenas para ir ao Santuário da Piedade e, esporadicamente, visitar os filhos.
Zico fez fama como locutor, por algumas décadas foi mesmo o responsável pela comunicação de massa em Pará de Minas, com o seu inesquecível serviço de alto-falantes, que podia ser fixo ou móvel.
Descobriu o seu potencial de comunicador ainda rapazote, quando faltou ao trabalho o locutor de um parque de diversões armado em terreno próximo a casa dele, (mais precisamente onde hoje está a sede do Sindicato Rural de Pará de Minas). No aperto, o dono do parque apelou para o rapazinho que estava sempre por ali, olhando o movimento. Era Zico. O trabalho era o de anunciar reclames (comerciais) do comércio local e mandar recadinhos de jovens enamorados, tipo: “mocinha de laço vermelho no cabelo oferece a próxima música ao rapaz de paletó azul-marinho, como prova de muita admiração”, ou então, “moço de paletó preto e camisa verde, oferece música à senhorita de cabelos louros, que está na fila da roda-gigante”. Algumas vezes o locutor precisava anunciar algum objeto achado ou perdido na área do parque: “foi encontrado um espelhinho com escudo do Flamengo, quem perdeu pode procurar o objeto aqui na barraca onde está o serviço de alto-falantes”. Zico mandou tão bem na sua estréia, que foi efetivado no cargo; depois soube-se que o locutor anterior tinha fugido com uma jovem donzela paraense, fato que não era raro, pois as meninas daquele tempo tinham o hábito de se apaixonarem artistas e funcionários de parques e circos. E Zico Mello Franco partiu com o parque, a correr o mundo.
Pelos caminhos da vida ele ficou bom tempo. Em determinado momento, quando também faltou um artista do elenco de um circo que estava na mesma cidade, lá foi ele preencher a lacuna, pois conhecia o papel de cor e salteado, de tantas vezes que tinha assistido a peça. E saltou de locutor para ator, assim, num passe de mágica. Mas, a saudade de casa já o estava incomodando, então ele pegou seus teréns, agradeceu a oportunidade a ele concedida e retornou a Pará de Minas e ao lar.
Nas suas andanças tinha juntado uns cobres e resolveu investir tudo em algumas campanas, microfone e amplificador, decidindo a partir daquele momento usar profissionalmente sua melhor ferramenta: a potente voz, que se tornou mesmo a “voz de Pará de Minas” nas décadas seguintes. Zico anunciava tudo: enterros, jogos de futebol, festas , barraquinhas (quermesses), campanhas de vacinação, avisos da prefeitura e fazia a publicidade sonora nas empolgantes campanhas eleitorais. Como era o único profissional da área na cidade, atuava com extrema imparcialidade, sem revelar o candidato de sua predileção. Seus equipamentos, alugados a preço módico, animavam festas cívicas e religiosas; e profanas também, pois nos bailes de carnaval, nos salões, lá estava ele.
Em certo momento de sua vida entrou para o serviço público, como bedel do Colégio Estadual Fernando Otávio. Na prática, foi o melhor arquivista que passou pela casa, colocando ordem no setor, inclusive dos tempos em que a colégio era dirigido pela Ordem dos Franciscanos. Aposentou-se no emprego, mas continuou trabalhando por alguns anos. Nos dias atuais, ainda faz um bico como locutor, por alguns dias apenas, nas vésperas do “Dia das Mães”, apenas para um cliente: as lojas “Chá de Panela”, cujo proprietário não abre mão de Zico.
As estórias e aventuras de Zico dariam para encher um livro de muitas páginas: algumas emocionantes, outras engraçadas, outras informativas. Afinal, Zico Mello Franco, se não foi protagonista de algumas, participou de quase todas, ainda que como coadjuvante.
Ah! E foi importante desportista, inclusive presidindo o Rio Branco F.C.; e também comentarista esportivo, nos primórdios da Rádio Santa Cruz.
E hoje está muito feliz com o retorno do América F.C. à série A, o grupo de elite do futebol brasileiro.

Ave Zico! Saúde e vida longa!

Luiz David

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *