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ÁGUA NÃO TEM, MAS SOBRA INSENSIBILIDADE

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O mais grave problema que aflige os paraenses de Minas é a terrível falta d’água. Todos os esforços e conversas de nossas lideranças deviam focalizar a solução para a grave questão, que não poupa ninguém. Mas não. Em Pará de Minas, maior do que a seca é a insensibilidade dos políticos. Todos eles. Não tem água na torneira?  Tome picuinhas… Distrai e emputece as pessoas.

 

A imprensa de Pará de Minas fez ontem grande estardalhaço para anunciar o fim da greve dos médicos do HNSC. Que greve foi esta que ninguém viu?  Os do jaleco encardido disseram que a paralisação foi durante a noite de terça-feira. Hilariante se não fosse trágico, pois o HNSC cerra suas portas todos os dias às dezoito horas. Não houve greve, nem vai haver, que apesar de médicos não são bobos e sabem que o emprego é bom e paga bem. Se há atraso a culpa é deles mesmos, que não sabem escolher seus gestores. Para cada um deles que sair existem pelo menos outros cinco querendo a vaga.

Tive de me esforçar para não conter o riso quando um deles, falando em nome da categoria, afirmou que estavam dando um voto de “confiança à população” .  O dotô perdeu excelente chance de ficar calado. Deve estar arrependido da bobagem dita e desejando ter nascido mudo.

 

Quase fui às lágrimas ao ver na televisão o deputado Inácio Franco falando de sua reeleição à Assembléia e supostamente acenando bandeira branca ao seu arquirrival prefeito Antônio Júlio. Quando ia chorar de tanta emoção caí na realidade, quando o deputado disse “estou pronto para colaborar com o prefeito, é só ele me procurar”. Espera aí, que manifestação de grandeza é esta que exige submissão absoluta do oponente? Para demonstrar de fato sua disposição, o deputado deveria descer do pedestal e ir à planície estender as mãos ao prefeito de sua cidade, publicamente. Ano passado, quando de importante votação na Câmara Municipal, o prefeito procurou o deputado Inácio, no gabinete deste, para pedir humildemente que intercedesse junto aos vereadores de partidos aliados a ele, para que aprovassem a matéria. O parlamentar se negou de forma peremptória e ainda por cima ordenou que sua tropa de choque votasse contra. Em consequência, a correção do IPTU dos mais pobres foi muitas vezes superior à dos contribuintes dos bairros nobres.  Acho que agora o deputado jogou para a platéia.

Mas a entrevista do deputado Inácio Franco teve também seu momento de comédia. Foi quando ele afirmou que estava envergonhado com a situação hídrica da cidade, com a terrível falta d’água que nos assola indistintamente. Mas tão envergonhado estava que nem  coragem teve,  de pedir votos ao povo de Pará de Minas. Como assim? E a milionária campanha que ele fez aqui? Centenas de moças batendo nas portas de todas as casas, várias vezes em três meses, pedindo voto; e os milhares de banners, minis-outdoors, centenas de milhares de santinhos, cartas, e as centenas de cavaletes, essa excrecência da publicidade eleitoral usada por muitos?

Agora, neste momento, oito e quinze de uma luminosa manhã primaveril, sexta-feira, o prefeito Antonio Júlio está respondendo aos ataques que recebeu de seu antecessor, Zezé Porfírio. Ontem foi o ex-vereador Vilson Antonio que atacou o presidente da Câmara, Marcílio Sousa, que provavelmente revidará na segunda-feira.

Depois, nossos líderes não sabem explicar a razão dos eleitores terem jogado no lixo quarenta por cento dos votos; mostrando assim a sua indignação pela baixaria que impera na nossa política.

E não pensem os leitores que no meio do tucanato patafufense a política é de alto nível, pois não é. O diferencial tucano é que os adeptos do hexa deputado Barbosa são mestres na arte da tergiversação, são uns dissimulados, todos com PhD no estilo “me engana que eu gosto”.  Jogam pedras e escondem as mãos.  Se alastram feito tiririca na administração municipal, fazendo com que a vida do prefeito que já não é boa com a falta d’água terrível, fique ainda pior com a ausência de compromisso dos parceiros eleitorais de 2012.

Parceria, aliás, cujo prazo de validade venceu antes do tempo. Expirou quando os tucanos no governo municipal se esconderam quando veio à tona a pior crise hídrica da história do centro-oeste mineiro, deixando o prefeito sozinho. Têm se mostrado parceiros de primeira hora só nas ações que possam lhes render dividendos políticos e eleitorais.

Com parceiros deste naipe, o prefeito Antonio Júlio nem precisa de adversários para azucrinarem a sua vida. (Luiz Viana David)

Luiz David

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