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Campanhas Eleitorais

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A imagem pode conter: 3 pessoasNa foto: Quatro ex-prefeitos de Pará de Minas: Antonio Júlio (1983/1988); José Porfirio de Oliveira (o pai, 1967/1971 – 1977/1983 – 1989/1992);  Walter Martins Ferreira (1963/1967 – 1973/1977); Osvaldo Ribeiro Lage (1955/1959). No centro da foto, o comerciante e produtor rural Olavo dos Santos, que nunca disputou uma eleição, mas era apaixonado pelo tema.

Campanhas Eleitorais

Nos últimos sessenta anos esses quatro prefeitos que aparecem na foto dominaram a cena política de Pará de Minas, intercalando o Poder com outros importantes líderes: Dr. Edward Moreira Xavier (1959/1963); José Gentil de Almeida (1971/1973); Célio Oliveira Duarte (Julho 1992 a Dezembro 1992); Silésio Mendonça (1993 a 1996); Eli Pinto de Faria Tilili (1997 a 2000); Inácio Franco (2001 a 2006); José Porfirio de Oliveira (2006 a 2012); Elias Diniz (em exercício desde 2017).

Da campanha eleitoral de 1954 que teve como vencedor o advogado Osvaldo Ribeiro Lage até a eleição de Elias Diniz em 2016, o processo eleitoral sofreu mudanças tão drásticas não apenas na legislação como também na maneira dos candidatos se apresentarem aos eleitores. Em 1954 ainda vigia o prestígio do principal líder municipal, no caso de Pará de Minas, o senador e ex-governador Benedito Valadares Ribeiro, que não apenas ditava os rumos da política de sua terra, como também no Estado e no Brasil como um todo, por ser o Presidente nacional do maior partido da época, o PSD (não esse ajuntamento que tem o mesmo nome em 2019). Em 1954 Valadares disputava o Senado por Minas, pela segunda vez. Antes, em 1950 ele havia sido derrotado na mesma pretensão. Em 54 não queria outra surpresa desagradável e procurou se garantir em sua terra antes de se lançar pelo estado a fora. Veio para Minas, hospedou-se no Hotel Financial em Belo Horizonte, propriedade de seu dileto amigo médico Dr. Antonio Luciano, onde tinha reservada permanentemente a melhor suite. De lá convocou para conversas iniciais todas as lideranças patafufenses; até mesmo os adversários udenistas foram chamados para o beija-mão; alguns compareceram, como o prefeito em exercício José Vicente Marinho, que era amigo pessoal e afilhado de casamento de Valadares.  Depois de muitos encontros e conversas sigilosas com todos os envolvidos, Valadares enfim acertou a sua vinda ao Pará de Minas para anunciar quem seria o candidato de sua preferência  ao cargo de prefeito. Por esta época duas frases ditas por ele entrariam no rol das pérolas ditas por políticos brasileiros: “conversa com mais de duas pessoas é comício”; e a outra, respondendo a um repórter :  “estou rouco de tanto ouvir”.

Enfim, Valadares veio e lá da Chácara Santa Edwirges, rodeado pelo povo da política paraense de Minas, anunciou baixinho, bem ao seu estilo, quase sussurrando:  -o meu candidato é o Osvaldo, meu sobrinho, filho da Elvira. O nome foi aplaudido de pé pelos presentes. Aos vinte e nove anos o advogado e vereador Osvaldo, filho de dona Elvira e do médico dr. José Lage (itabirano, mas uma lenda da medicina local) só não foi candidato único por que o vereador José (Zezinho) Moreira Xavier acreditava que em 1954 era vez dele ser o candidato. Tinha apenas doze anos a mais do que o sobrinho do ex-governador e suas raízes políticas eram tão fortes quanto as do oponente. O nome de seu avô Fernando  Otávio da Cunha Xavier ainda era respeitadíssimo na cidade, mesmo tendo morrido há muitos anos. E tanto Zezinho Xavier como Osvaldo Ribeiro Lage descendiam da grande dama e matriarca  do sertão mineiro, dona Joaquina Bernarda da Silva de Abreu Castelo Branco Soutto Mayor de Oliveira Campos, ou simplesmente D. Joaquina do Pompéu.  Foi a campanha eleitoral mais cavalheiresca de toda a nossa municipal história; além de amigos pessoais, as famílias dos candidatos eram aliadas também desde a criação do município em 1859. E eram vizinhos quase de porta na rua “de baixo”, sendo a Rua de Cima a Benedito Valadares, também conhecida como Rua Direita, que era a denominação preferida dos udenistas. Muitos anos depois, quando exerci meu único mandato de vereador (1977/1983) tive a honra de conviver com o colega de grande nobreza, Zezinho Xavier; certa vez no cafezinho da Câmara Municipal ele me confidenciou que Benedito Valadares  só não o apoiou em 1954, por que tinha um pé atrás com ele, politicamente falando. O motivo? Em 1937, Valadares governador, surge a figura de Plínio Salgado, sacudindo o Brasil e os brasileiros com o seu Partido Integralista, uma versão cabocla do Partido Fascista do lider italiano Benito Mussolini. E Zezinho, na impetuosidade de seus vinte e cinco anos foi uma das lideranças integralistas no Pará de Minas. Com direito a organizar  grande desfile pelas ruas da cidade, com o grupo uniformizado, braço direito esticado para a frente e gritando “anauê, anauê”. Poucos dias depois o Presidente Getúlio Vargas, temendo a perda do Poder para Plinio Salgado, fechou o Congresso Nacional  e implantou a mais severa ditadura já instituída no país, o chamado “Estado Novo”, mandando prender centenas de opositores. E Zezinho encerrou a conversa: -eu acredito que só não fui preso também por interferência de dr. Benedito.  Mas ele nunca perdoou meus arroubos juvenis e em 1954 teve a oportunidade de castigar-me pelo seu desconforto naquela época, vetando o meu nome para disputar a prefeitura.

No frigir dos votos, quero dizer, dos ovos, elegeu-se Osvaldo Ribeiro Lage, que derrotou Zezinho Xavier por quatro a dois; em números redondos: quatro mil votos a dois mil; tornando-se o mais jovem prefeito da história de Pará de Minas, pois não tinha completado ainda os trinta anos de vida.

Voltarei ao tema. (LUIZ VIANA DAVID)

 

 

 

Luiz David

One Comment

  1. Memória da terra. Da história de nosso querido Pará. Que bom que o Luiz David se dispõe a não deixar que nada tenhamos a recordar. Parabéns ao excelente cronista patafufo.

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