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Fogo Fátuo na Rua Direita

FOGO FÁTUO NA RUA DIREITA

Até que seja inaugurado o próximo cemitério de Pará de Minas, ainda inominado, que eu espero não seja chamado de “Santo Antonio II”, o assunto de todas as rodas que formarem em Paris de Minas terá em sua pauta esse assunto. Eu venho tratando deste tema pelo menos desde 1999, quando publiquei uma matéria sobre, na capa do jornal já falecido “Folha de Pará de Minas” com uma chamada em letras garrafais: “NÃO HÁ VAGAS” sobrepondo-se a uma foto da portaria do cemitério encimada por uma frase em latim que em bom português quer dizer o seguinte: “Aos amigos que nos antecederam na casa do Pai”. A matéria era uma advertência ao prefeito da época Tilili (Eli Pinto de Faria) e a todos os que vieram depois dele: Inácio Franco duas vezes; Zezé Porfirio duas vezes; Antonio Júlio uma vez e Elias Diniz que está em vigência no seu segundo mandato, tendo relegado a segundo plano o assunto durante a sua primeira gestão (2017/2020).Na realidade, apenas o prefeito Antônio Júlio (2013 / 2016), teve coragem para encarar o assunto. Em sua gestão a área do novo cemitério foi definida, um projeto foi elaborado e todas licenças ambientais foram adquiridas para que a construção fosse finalmente iniciada. Antônio Júlio não foi reeleito em 2016 e o assunto “cemitério” foi esquecido; só voltando à baila em 2020, ano eleitoral, quando todos os sete candidatos a prefeito se manifestaram sobre o assunto. Vale lembrar que durante seu primeiro mandato (1983 / 1988) Antônio Júlio tinha mandado dobrar a área do cemitério Santo Antônio, que já seguia rumo ao esgotamento. Da matéria da FOLHA em 1999 até 2020, passaram-se 21 anos até que o cemitério de Santo Antônio teve a sua lotação esgotada. Medidas paliativas, também conhecidas por ‘gambiarras’ foram tomadas. Primeiro tentou-se as sepulturas em gavetas, em estruturas verticais, que não caiu no gosto popular por seu aspecto lúgubre. Depois veio a invasão pura e simples das alamedas internas, que receberam talvez alguns milhares de covas. Com isto, ficou impraticável o trânsito de pessoas que se dirigem ao ‘campo santo’ para uma visita ao túmulo de seus entes queridos. O corpo do prefeito Silésio Mendonça, por exemplo, teve acesso ao seu túmulo por um portão dos fundos, na Rua Pinhui, fato que causou comoção entre as centenas de pessoas que foram ao féretro do saudoso prefeito.

Desde os tempos imemoriais que ter um local para sepultar seus mortos é preocupação da humanidade. Em Pará de Minas até que viesse a emancipação do município em 1859, os enterros foram realizados em locais diferentes. Nos tempos da “Vila do Patafufo” o mortos eram sepultados na área atrás da então capela de Nossa Senhora da Piedade, que mais tarde ampliada após ser elevada a paróquia (1846), passou a ocupar mais espaço; então o cemitério precisou ser alocado noutra área, que ficava pouco abaixo, onde atualmente está a Praça Afonso Pena. Ali, bem na esquina, ficava uma capelinha que durante o ano abrigava a imagem do “Senhor dos Passos” (mais tarde, na década de 1970, levada para a praça Galba Veloso). Por algum tempo os enterros foram realizados na atual Praça Afonso Pena, a praça da prefeitura. Uma das exigências para que um ‘vila’ se emancipasse era essa, de construir um cemitério no lugar. E foi assim que surgiu o cemitério eclesiástico, na praça 2 de Novembro -atual Praça Galba Veloso, que também foi conhecida por praça do Centro de Saúde e atualmente atende também por Praça da Policlínica. O primeiro sepultamento realizado no Cemitério Eclesiástico foi de uma mulher conhecida como ‘Maria Africana’ aconteceu no dia 1º de novembro de 1859. A desativação deste cemitério ocorreu quando foi realizado o primeiro sepultamento no cemitério de Santo Antônio, em 31 de agosto de 1942. Na ocasião foi sepultada a senhora Antonia Valadares Ribeiro, mãe do então governador do estado de Minas Gerais, Benedito Valadares; e do prefeito Francisco ‘Chiquinho’ Valadares.

No começo dos anos 1960, o velho cemitério eclesiástico, há vinte anos desativado, foi removido por tratores e caminhões, o material resultante foi usado no aterro de ruas às margens do ribeirão Paciência, na região da Ponte Grande. Em seu lugar foi construído prédio que 2021 ainda abriga uma creche municipal.O cemitério eclesiástico foi utilizado durante 42 anos (1859 a 1942); o atual, cemitério de Santo Antônio, já esgotada a sua capacidade, atendeu a população por 79 anos. A surpresa eu deixei para o final: é bem provável que Pará de Minas, ainda enquanto Vila do Pará, tenha tido outro cemitério, bem no centro da cidade, na Rua Benedito Valadares, entre os números 315 ao 375 (em 2021 no local estão a Padaria França, Drogaria Araújo, Farmácia Cruzeiro); é o que contou o tabelião Sylvio Praxedes (1908/1993) em entrevista à equipe do MUSPAM em 10 de abril de 1990.Sylvio Praxedes falando: ” a capelinha de Nosso Senhor dos Passos, que ficava ali ao lado do fórum, na verdade teria sido a capelinha do primeiro cemitério, anterior àquele lá de cima, da praça Galba Veloso”. Um outro cemitério pode ter existido na Rua Direita, naqueles lotes onde o senhor Celso Grassi construiu o seu palacete. Eu ouvi de meu pai (o jornalista Antonio Rocha Praxedes) que ele chegou a ver o chamado “fogo fátuo” ali naquele lugar. Fogo fátuo é o fenômeno que se dá quando ossos estão com excesso de fosfato e entram em combustão. Esse era o cemitério social da cidade”.É muito provável que tudo tenha sido assim mesmo. Que venham novas pesquisas. (LUIZ VIANA DAVID)

Fotos: O cemitério mencionado teria existido onde foi construído o ‘casarão Grassi”, à esquerda da foto. O cemitério eclesiástico sendo ‘demolido’ em 1964.A capelinha de Nosso Senhor dos Passos ficava na esquina da Rua Dr. Cândido com Praça Afonso Pena. Foi demolida em 1980. Pode ter sido a capelinha do primeiro cemitério da cidade.

FOTOS: Acervo do MUSPAM

6Ama Pangeia, Fatinha Morais e outras 4 pessoas1 compartilhamentoCurtirComentarCompartilhar

Luiz David

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