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O CANTINHO DO SAGRADO

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Espiritualidade na escola

 Padre Geraldo Gabriel
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Tenho sugerido às diretoras de escolas que criem nas mesmas um “Cantinho do Sagrado”. A palavra “sagrado” parece vaga e difusa. Mas, a escola, atualmente, abriga diversos credos religiosos e por isso, não poderia, legalmente, construir um oratório nos moldes católicos. Isso poderia colocar a diretora em dificuldades com os alunos praticantes de outros credos.

Independentemente da religião professada o “Cantinho do Sagrado” poderia ser um lugar onde o aluno pudesse acender uma vela, incenso, rezar o terço ou ler a palavra de Deus. O espaço sagrado seria revitalizador para as pessoas que, naturalmente, enfrentam ambientes tensos e estressantes. Em conversa recente com uma diretora ela me disse que conseguiu melhorar o desempenho dos alunos à medida que passou a rezar um “Pai nosso” com eles antes do início das aulas. A oração ou meditação, como queiram, deixam a pessoa mais centrada e aberta para o relacionamento com o outro pois ela mesma constitui uma forma de relacionamento com Deus.

Não vejo muitas dificuldade para se criar um “Cantinho do Sagrado” na escola. A maior dificuldade talvez, seja a mudança de mentalidade. Infelizmente, ainda há preconceito contra as religiões. Esse preconceito muitas vezes é alimentado pela escola quando passam uma imagem distorcida da religião para os alunos. É provável, que alguns alunos, ainda alimentem uma imagem ultrapassada da Igreja Católica e vejam a religião como um campo de superstições duvidosas diante das “certezas” científicas. Por isso, acho que precisamos ter uma visão clara das demandas do homem de hoje que se decepcionou muito com as promessas de emancipação racional oriunda do Iluminismo. As pessoas estão com sede do Sagrado, ainda que não o busquem, numa determinada religião. A sede pelo sagrado cresce a cada dia. Basta ver o grande número de jovens que buscam nossas igrejas e procuram alimentar a espiritualidade de todas as formas.

Nunca deixo de ir à uma escola quando me convidam para falar para os estudantes. O convite, quase sempre, parte dos alunos e não da direção da escola. O que estaria por trás dessa fome de Deus? Como a escola poderia saciar essa fome dos estudantes?

Hoje, dificilmente, alguém vai à escola para pregar um determinado credo religioso. Existem temas transversais que poderão ser tratados sem agredir a nenhuma confissão religiosa específica. Em se tratando de questão religiosa, penso que a escola deveria evitar sempre dois extremos: o fanatismo e a indiferença. O padre, dentro da escola seria um suporte para que os alunos pudessem buscar uma orientação sobre suas vidas. Os grandes problemas enfrentados pelos estudantes quase sempre não foram criados por eles e sim pelos pais. É muito triste quando você vê a angústia de um menino de 12 anos que teve que acionar a polícia contra o próprio pai, que por causa do álcool agrediu sua mãe…

Sei que não cabe a escola substituir a família. Mas na prática a coisa é diferente. O que muitos alunos têm em casa nem sei se chega a ser família! Ainda bem que a escola ocupa boa parte do dia do aluno. Talvez, fosse pior a companhia de certos familiares… Sei que estou sendo duro. Mas, você é que não sabe o que ando ouvindo de jovens e adolescentes por aí! A você que leu esse texto e achou interessante, peço-lhe que leve uma cópia do mesmo para o professor de seu filho ou para a diretora da escola onde ele estuda. Precisamos fazer de tudo para cuidar da educação de nossos jovens. D. Bosco estaria preocupadíssimo se vivesse nos dias de hoje! Quem sabe você não poderia dar o primeiro passo para que fosse criado em sua escola um “Cantinho do Sagrado” onde você pudesse buscar forças e inspirações para seus estudos e dificuldades…

Luiz David

One Comment

  1. O texto é muito bom. Concordamos com o que foi escrito, também temos ouvido e presenciado situações absurdas. Já colocamos em prática há alguns anos a oração inicial em nossa escola. No turno da manhã os professores se incumbem de realizá-la com os alunos e no turno da tarde a oração inicial é feita com todos juntos, na quadra. É um momento muito especial. Quanto ao cantinho do sagrado, substituímos pela reflexão “cartas pra Deus” – inspirado no filme de mesmo nome. Os alunos sempre escrevem, desabafam e colocam a correspondência em uma urna estrategicamente posicionada e lacrada. Ninguém tem acesso ao conteúdo – a não ser Ele: DEUS.
    Abraço!!!

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